Conflito interno no clã Bolsonaro atrapalha estratégia de posicionar Flávio como moderado, aponta centrão
Conflitos internos do PL complicam candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Lideranças do centrão estão preocupadas com as disputas públicas entre membros da família Bolsonaro, que têm dificultado a formação de alianças para a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A imagem de moderação que ele tenta projetar está sendo prejudicada por essas brigas internas.
Recentemente, Flávio assistiu seus irmãos atacarem publicamente figuras importantes do PL. Eduardo Bolsonaro criticou Nikolas Ferreira e a ex-primeira-dama Michelle, enquanto Carlos Bolsonaro se desentendeu com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Esses conflitos acentuam um ambiente já tenso dentro da sigla.
Desde que Flávio foi escolhido como candidato ao Planalto, ele enfrenta um afastamento de Michelle, que se sentiu excluída do processo de sucessão. Apesar de sua vontade de participar das decisões do partido, a relação entre eles permanece delicada.
Uma liderança do centrão comentou que Flávio cometeu um erro ao dar poder a Eduardo ao anunciá-lo como possível ministro de Relações Exteriores. Esse aliado acredita que o senador está se destacando nas pesquisas devido à sua tentativa de se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo.
Três presidentes de partidos centristas, que falaram em off, concordam que as disputas familiares estão prejudicando as negociações e manchando a imagem de Flávio como um candidato menos radical. As incertezas sobre qual facção do PL prevalecerá nas disputas internas dificultam ainda mais as conversas.
Além disso, há uma expectativa crescente por uma maior participação de Flávio nas negociações políticas. A avaliação é de que a direita se tornou muito solta enquanto o senador estava em viagens internacionais, incluindo um tour pelo Oriente Médio e Europa, além de visitas aos Estados Unidos.
Interlocutores afirmam que Flávio está ciente dos desafios e retornará dos Estados Unidos com a intenção de organizar a hierarquia dentro do partido. Um aliado mencionou que houve uma distorção de informações, especialmente por parte de líderes da direita que visitaram o ex-presidente na prisão e comentaram sobre a formação de palanques.
Nos próximos dias, Flávio pretende colocar ordem no partido, deixando claro que foi escolhido por Bolsonaro como o novo capitão. O objetivo é centralizar as informações e decisões, além de mediar os conflitos internos.
Ele já interveio nas discussões entre Eduardo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e também está trabalhando para resolver a contenda com Nikolas Ferreira. Flávio e Nikolas estarão juntos em uma manifestação bolsonarista no próximo domingo, buscando mostrar unidade após as críticas de Eduardo.
Em relação a Michelle, Flávio tomará uma abordagem mais cautelosa. O grupo do senador acredita que a ex-primeira-dama está insatisfeita com o processo que definiu Flávio como candidato, mas confiam que ela se unirá à campanha no momento certo, evitando novas desavenças familiares.
Embora uma liderança do PL reconheça que os conflitos impactam negativamente a campanha, minimizou a situação. Para alguns no partido, essas disputas são recorrentes na família Bolsonaro, e Flávio entende que precisa do apoio de Michelle e Nikolas para sua eleição.
AS CRÍTICAS
Em uma recente entrevista, Eduardo Bolsonaro expressou que o apoio de Michelle e Nikolas a Flávio está “aquém do desejável”. Ele ressaltou que, apesar de ter feito as pazes com Tarcísio, a falta de apoio de sua família é preocupante.
Nikolas respondeu às críticas, destacando que a prioridade deveria ser enfrentar questões mais sérias, como a situação do pai preso e os desafios enfrentados pelo país, em vez de se atacar mutuamente.
Carlos e Valdemar também se envolveram em discussões públicas. Carlos, que se candidatará ao Senado, questionou a decisão de Bolsonaro sobre a lista de pré-candidatos, enquanto Valdemar reafirmou que o ex-presidente terá a palavra final apenas sobre os senadores.
Carlos compartilhou a declaração de Valdemar, levantando preocupações sobre o isolamento de Bolsonaro no processo decisório. A situação continua tensa, com a necessidade de resolver as disputas internas para fortalecer a candidatura de Flávio.
