Conflito no Oriente Médio eleva custos do agronegócio, revela estudo na Expodireto
Conflito no Oriente Médio impacta agronegócio brasileiro, elevando custos e desafios no setor.
A escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente após a intervenção dos Estados Unidos no Irã, pode gerar impactos significativos para o agronegócio brasileiro. A situação atual pressiona os custos logísticos, fertilizantes e as cadeias de produção de alimentos, conforme apontado por um relatório econômico apresentado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS).
O estudo revela que o conflito está afetando a inflação global, o que, por sua vez, influencia as taxas de juros. No Brasil, essa pressão inflacionária, aliada à desvalorização do câmbio, pode complicar o ciclo de cortes na Selic, dificultando a redução dos juros do Plano Safra e encarecendo o crédito, prejudicando a capacidade de investimento no setor.
Um dos fatores que preocupa é a interrupção parcial do fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial que transporta cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente. Esta restrição já elevou os preços do petróleo e, consequentemente, os custos logísticos em escala global.
O relatório destaca que “o fechamento do canal gerou um entrave logístico extremamente relevante, resultando em uma disparada nos preços do petróleo e, por consequência, no aumento sistêmico do custo logístico global”. Esse impacto nas cadeias de suprimento que atravessam o Oriente Médio, juntamente com a necessidade de alterar rotas marítimas e o encarecimento do frete, tende a gerar efeitos indiretos sobre várias commodities.
Fertilizantes e cadeia produtiva
O Oriente Médio desempenha um papel crucial no fornecimento global de fertilizantes, insumos essenciais para a produção agrícola. Restrições na oferta podem elevar os custos ao longo de toda a cadeia do agronegócio, começando na produção de grãos e se estendendo à pecuária, por meio do aumento no preço das rações. No Brasil, 85% dos fertilizantes utilizados são importados, com cerca de um terço da ureia proveniente do Oriente Médio, tornando o setor vulnerável a choques de oferta e de preços.
Além disso, o aumento dos custos de energia pode impactar polos industriais, como a China, principal compradora de commodities brasileiras, pressionando a inflação global e influenciando decisões de política monetária, o que pode afetar investimentos no Brasil.
Exportações
No que diz respeito às exportações, o Brasil fornece ao Oriente Médio principalmente carne de frango, carne bovina, milho e açúcar. Eventuais bloqueios logísticos na região podem afetar temporariamente essa demanda, exigindo o redirecionamento das exportações para outros mercados. Por outro lado, o cenário internacional pode abrir novas oportunidades, como o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que deve ampliar o acesso do agronegócio brasileiro a novos mercados nos próximos anos.
Safra recorde no Brasil
Apesar das incertezas externas, as perspectivas para a produção agrícola brasileira continuam positivas. A safra nacional de 2025/2026 pode alcançar 353,4 milhões de toneladas de grãos, estabelecendo um novo recorde. No Rio Grande do Sul, a projeção é de 38,9 milhões de toneladas, indicando uma recuperação após perdas climáticas nos últimos ciclos.
Com a expansão da renda do agronegócio, espera-se que isso gere impactos positivos em diferentes segmentos da economia estadual, impulsionando investimentos em máquinas, indústria e comércio. O relatório prevê um crescimento de 3,02% para a economia gaúcha em 2026, um ritmo que supera a média nacional.