Conselheiro de Trump com laços a Eduardo Bolsonaro planeja visita ao Brasil para acompanhar eleições
Conselheiro dos EUA visitará o Brasil para discutir eleições e questões de segurança.
Darren Beattie, conselheiro para relações com o Brasil nos Estados Unidos, está programado para viajar ao país na próxima semana. Sua agenda inclui reuniões com o senador Flávio Bolsonaro e compromissos relacionados ao processo eleitoral brasileiro.
A visita de Beattie, a primeira como conselheiro do governo de Donald Trump, busca entender melhor o sistema eleitoral do Brasil. Ele é conhecido por suas críticas ao governo Lula e ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
O conselheiro mantém uma relação próxima com Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo, ambos aliados do bolsonarismo nos EUA. Eles têm solicitado que a comunidade internacional observe de perto o processo eleitoral brasileiro, especialmente após a decisão do governo Trump de não impor sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky.
Durante sua visita, Beattie também discutirá decisões judiciais que resultaram no bloqueio de perfis em redes sociais, no contexto de inquéritos sobre “fake news” e milícias digitais conduzidos pelo STF. Além disso, ele terá uma ampla agenda com o TSE, que passará a ser presidido por ministros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A nomeação de Beattie como Conselheiro Sênior de Política para o Brasil foi confirmada no final de fevereiro. Ele já se manifestou publicamente contra Moraes, considerando-o responsável por um “complexo de censura e perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Beattie passará por Brasília e São Paulo, onde participará de um evento sobre minerais críticos. O governo americano está buscando acordos de fornecimento preferencial desses recursos com vários países, e o Brasil, com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, tem resistido a acordos de exclusividade, buscando contrapartidas para investimentos no processamento local.
Outro tema importante na visita de Beattie é o crime organizado. Os Estados Unidos estão prestes a classificar as facções CV e PCC como organizações terroristas, uma decisão que contraria as estratégias do governo brasileiro. O governo Lula apresentou uma proposta ao Departamento do Estado para combater o crime organizado, mas a proposta foi considerada inadequada por não incluir a declaração das facções como grupos terroristas.
Em fevereiro do ano passado, os EUA designaram facções do narcotráfico, como a venezuelana Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa, como “organizações terroristas estrangeiras”, o que resultou em ações militares no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico contra as embarcações associadas a “narcoterroristas”.
Além disso, o presidente Lula está planejando uma visita a Trump em Washington, prevista inicialmente para março, mas que pode ser adiada para abril devido à situação no Irã. Lula pretende discutir questões de segurança durante esse encontro.
