Conselho desempenha papel crucial na construção de culturas inclusivas

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A desigualdade de gênero no setor de tecnologia continua a ser um desafio significativo.

A tecnologia tem se consolidado como um dos setores mais influentes da economia global, impactando diretamente modelos de negócio e comportamento social. Contudo, essa expansão não se reflete na presença feminina, com apenas 9% das posições de CEO em empresas de tecnologia ocupadas por mulheres.

No Brasil, a situação é igualmente preocupante. Levantamentos indicam que menos de 30% dos cargos de alta gerência em tecnologia são ocupados por mulheres, e a participação feminina diminui ainda mais à medida que se avança na hierarquia. Além disso, a desigualdade salarial persiste, com mulheres recebendo, em média, 24% menos do que seus colegas homens em funções equivalentes.

A diversidade é frequentemente abordada como uma iniciativa pontual, limitada a programas internos ou ações de desenvolvimento, que podem ser vulneráveis a cortes orçamentários ou mudanças de gestão. No entanto, quando a diversidade é tratada no nível do conselho administrativo, ela pode influenciar decisões estruturais, como critérios de sucessão, políticas de remuneração e avaliação de desempenho.

Cultura organizacional começa no topo

As decisões estratégicas que definem prioridades em uma organização são tomadas no conselho. A persistência da desigualdade salarial e a dificuldade das mulheres em avançar nas promoções são reflexos de escolhas institucionais que precisam ser corrigidas. A governança desempenha um papel crucial na superação desses desequilíbrios.

Empresas que incluem mulheres em seus conselhos dão um passo importante, ampliando o repertório de decisões e tornando a discussão sobre equidade uma parte fundamental da agenda corporativa.

Diversidade como condição para competitividade

A inovação, essencial para o setor de tecnologia, surge de perspectivas variadas. Equipes homogêneas tendem a repetir soluções conhecidas, enquanto ambientes diversos fomentam novas ideias e abordagens. A escassez de mulheres nas contratações e na liderança limita o potencial criativo do setor.

A retenção de talentos também está ligada à percepção de oportunidades reais de crescimento. Profissionais qualificadas são menos propensas a permanecer em ambientes que apresentam barreiras invisíveis ou onde as desigualdades salariais não são abordadas de forma transparente.

Portanto, trabalhar a diversidade desde o nível do conselho é uma decisão que impacta o desempenho a longo prazo. Integrar pluralidade à governança fortalece a cultura organizacional e sustenta o crescimento. Em um setor que se posiciona como protagonista da transformação econômica, a inovação deve abranger não apenas os produtos, mas também a estrutura de poder.

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