Consórcio MEZ-RZK é o vencedor do leilão para construção do novo centro administrativo de São Paulo
Consórcio MEZ-RZK Novo Centro é o vencedor do leilão para construção do novo centro administrativo em São Paulo.
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro conquistou, na manhã desta quinta-feira (26), a concessão para a construção e operação do novo centro administrativo do governo de São Paulo. O leilão foi realizado na B3, em São Paulo, com a presença de autoridades estaduais e municipais.
Composto pelas empresas Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property, o consórcio apresentou um desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública mensal máxima, que estava fixada em R$ 76,6 milhões. Essa proposta superou a oferta do grupo Acciona-Construcap, que tinha oferecido um desconto de 5%.
A concessionária vencedora ficará responsável pela construção, operação e manutenção do complexo por um período de 30 anos. Isso inclui serviços essenciais como limpeza, segurança e conservação. O investimento total estimado para o projeto é de R$ 6 bilhões.
Reabilitação urbana
Durante o evento, o governador Tarcísio de Freitas destacou que o projeto representa um “legado” para a cidade. Ele mencionou a meta de contratar R$ 220 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos, mas com os leilões realizados, o total deve alcançar R$ 394 bilhões, impactando positivamente em obras, empregos e desenvolvimento econômico.
Tarcísio enfatizou que a centralização das estruturas do governo em um único local nos Campos Elíseos trará mais eficiência administrativa e reduzirá o tempo de deslocamento para cerca de 22 mil servidores.
“Esse é um passo importante para a reabilitação do centro. Do ponto de vista financeiro, teremos ganhos significativos em produtividade, permitindo novos investimentos nos imóveis atualmente dispersos pela cidade”, afirmou o governador.
Além disso, ele mencionou que a iniciativa faz parte de um esforço maior de revitalização da área, incluindo a redução do fluxo de usuários de drogas na Cracolândia.
Protestos e segurança
O leilão ocorreu sob um rigoroso esquema de segurança. A Polícia Militar implementou bloqueios nas ruas próximas à B3 para garantir a ordem pública, especialmente em resposta a manifestações que ocorreram nas proximidades.
Movimentos sociais, como a Frente de Luta por Moradia (FLM) e a União dos Movimentos de Moradia (UMM), protestaram contra o projeto, argumentando que ele resultará em desapropriações forçadas, remoção de famílias e uma valorização artificial dos imóveis, afetando negativamente os residentes de baixa renda.
Questionamento de moradores
No final do evento, uma moradora da região conseguiu se aproximar do governador e expressou sua insatisfação pela falta de diálogo com a comunidade. A jornalista Jeniffer Mendonça, que vive nos Campos Elíseos há 29 anos, questionou as promessas de revitalização, apontando que muitas pessoas estão sendo expulsas de suas casas.
“Não conseguiremos nos manter no centro com as indenizações que estão sendo oferecidas, especialmente considerando a gentrificação”, protestou Jeniffer.
Em resposta, Tarcísio de Freitas afirmou que grandes projetos de infraestrutura frequentemente requerem desapropriações, mas garantiu que cada caso será analisado individualmente, assegurando que ninguém ficará desassistido. Ele ressaltou que a legislação será rigorosamente cumprida, oferecendo suporte para que as pessoas encontrem novas moradias.
Detalhes do projeto
O novo centro administrativo será composto por sete edifícios e dez torres localizadas nos Campos Elíseos. O complexo abrigará o gabinete do governador, secretarias e órgãos estaduais que atualmente ocupam mais de 40 endereços distintos.
O projeto inclui diversas iniciativas, como:
- Restauro de 17 imóveis tombados;
- Ampliação das áreas verdes do Parque Princesa Isabel;
- Destinação de 25 mil m² para comércio e serviços;
- Construção de um novo terminal de ônibus.
O governo prevê que a obra criará 38 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção, além de gerar