Contador ligado a facções criminosas é detido na Operação Acerto de Contas no Rio Grande do Sul
Operação Acerto de Contas desmantela esquema de evasão fiscal e lavagem de dinheiro no Rio Grande do Sul.
A Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público do Rio Grande do Sul e a Receita Estadual, realizou na manhã desta quarta-feira a Operação Acerto de Contas. A ação teve como objetivo desarticular um esquema de evasão fiscal e lavagem de dinheiro que envolvia um contador e empresas de fachada, utilizadas para sonegar impostos e ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Durante a operação, foram cumpridas 261 ordens judiciais, que incluíram 31 mandados de busca e apreensão, uma prisão preventiva e bloqueio de ativos financeiros. As ações ocorreram em várias cidades, como Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Sapiranga, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Campo Bom, Gravataí e Guaporé.
O contador, conhecido por atuar como “contador do tráfico”, foi detido sob a acusação de ter criado 150 empresas de fachada. Além disso, 11 pessoas receberam tornozeleiras eletrônicas para monitoramento. Em um dos locais alvo da operação, as autoridades apreenderam 70 quilos de prata, 13 veículos, uma arma, notebooks, celulares e documentos importantes.
O nome da operação reflete a prática contábil do investigado, que deixava de recolher o ICMS devido pelas empresas que se beneficiavam desse esquema. Ele realizava ajustes de valores através de créditos indevidos e por meio de documentos sem lastro contábil.
Em mensagens trocadas com um empresário, o contador garantiu que cuidaria de todas as regularizações necessárias: “Pode deixar que eu faço o acerto de todas as contas. Fica tudo certinho.”
Investigações indicam que o contador atuava como operador financeiro para múltiplas organizações criminosas, oferecendo serviços de lavagem de dinheiro, que incluíam simulação de operações comerciais e movimentação artificial de recursos. O delegado Cassiano Cabral, do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública, destacou a complexidade e a gravidade das atividades ilícitas descobertas.
Os recursos obtidos de forma ilegal permitiram que o “contador do tráfico” e sua família mantivessem um padrão de vida elevado, com aquisição de bens de luxo, como veículos de marcas renomadas e imóveis, todos registrados em nomes de terceiros para dificultar o rastreamento.
