COTER: como o Exército Brasileiro planeja e executa o emprego da Força Terrestre no país

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Comando de Operações Terrestres coordena doutrina, logística e prontidão militar em missões que vão da defesa da pátria ao apoio em desastres naturais

Compreender o funcionamento do Comando de Operações Terrestres (COTER) é essencial para entender como o Exército Brasileiro planeja, prepara e emprega suas tropas em todo o território nacional e também em operações no exterior. O órgão é responsável por integrar doutrina, treinamento, logística e coordenação operacional da Força Terrestre, garantindo que unidades de diferentes regiões do país atuem sob o mesmo padrão de prontidão e eficiência.

Segundo explicações do general de brigada Marco Aurélio Baldassarri, chefe do emprego da Força Terrestre, o modelo de atuação do Exército começa no mais alto nível estratégico, a partir do Ministério da Defesa. É nesse âmbito que são definidas as hipóteses de emprego das Forças Armadas, consolidadas no Plano Estratégico de Emprego Conjunto, que orienta todas as ações posteriores.

A partir dessas diretrizes, o COTER atua como um órgão integrador, responsável por transformar planejamento estratégico em capacidade real de emprego da tropa. Isso envolve o desenvolvimento de uma doutrina única, aplicada de norte a sul do país, e um processo contínuo de treinamento, que permite que unidades da Amazônia, do Sul ou do Centro-Oeste operem com o mesmo nível técnico e operacional.

Emprego definido pela missão, não pela tropa

Um dos pontos centrais do modelo operacional é que o emprego das tropas não segue uma hierarquia fixa entre infantaria, blindados ou artilharia. O fator determinante é sempre a missão. Cada operação é analisada conforme o cenário, as ameaças e os meios necessários, cabendo ao comando militar da área executar a ação, com o apoio e a coordenação do COTER.

O Exército mantém tropas distribuídas por todo o território nacional, preparadas para responder prioritariamente às demandas da sua região. No entanto, há também unidades com alta capacidade de mobilidade, capazes de serem deslocadas rapidamente para reforçar operações em outras áreas do país, inclusive em grandes mobilizações que exigem esforço logístico complexo.

Atuação permanente nas fronteiras e combate a ilícitos

O COTER também coordena o emprego da Força Terrestre no combate a ilícitos transfronteiriços e crimes ambientais, sempre em operações interagências. Nessas ações, o Exército atua de forma integrada com órgãos como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, IBAMA e ICMBio.

A presença militar na faixa de fronteira é contínua e adaptada às características de cada região. No Arco Norte, por exemplo, o foco está nos eixos fluviais e na atuação de pelotões especiais de fronteira. No Centro-Oeste, a estratégia envolve patrulhamento ampliado e uso intensivo de tecnologia. Já no Sul, a atuação prioriza a integração com forças de segurança e autoridades dos países vizinhos, especialmente em áreas de fronteira seca e cidades-gêmeas.

Além das ações permanentes, o Exército participa das chamadas Operações Ágata, que podem ocorrer em diferentes níveis de complexidade, envolvendo desde patrulhamento local até grandes operações conjuntas das três Forças Armadas.

Tecnologia e monitoramento

O emprego da tecnologia é considerado fundamental para o controle de extensas áreas de fronteira. Um dos principais instrumentos é o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, que auxilia na detecção de movimentações suspeitas, seja por terra, rios ou pequenas aeronaves, ampliando a capacidade de resposta do Estado brasileiro.

Apoio à sociedade e resposta a desastres

Outra vertente relevante do trabalho coordenado pelo COTER é o apoio à Defesa Civil em situações de calamidade pública. Embora não sejam consideradas operações de guerra, essas missões exigem planejamento, coordenação e mobilização semelhantes às ações militares clássicas.

O Exército é frequentemente acionado devido à sua capacidade logística, rapidez de resposta e presença territorial. Nessas situações, atua no transporte de pessoas e suprimentos, desobstrução de vias, montagem de hospitais de campanha, restabelecimento de comunicações e resgates em áreas de difícil acesso, inclusive com o uso de blindados e meios anfíbios.

Prontidão permanente

De acordo com o comando operacional, o Exército Brasileiro mantém estado permanente de prontidão. Isso significa capacidade de resposta imediata tanto na defesa da soberania nacional quanto no apoio à sociedade em momentos críticos ou em compromissos internacionais.

A estrutura coordenada pelo COTER busca assegurar que, independentemente do cenário, a Força Terrestre esteja preparada para cumprir sua missão com rapidez, organização e eficiência, reforçando o papel das Forças Armadas como uma das instituições de maior confiança da sociedade brasileira.

Fotos: Divulgação/ Coter

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