CPI do Crime autoriza investigação sobre beneficiários do Master

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Comissão do Senado aprova investigações sobre fraudes do Banco Master

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira, requerimentos que visam aprofundar as investigações sobre um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. As medidas incluem solicitações para identificar os beneficiários finais dos fundos associados ao banco e à Reag Investimentos.

No entanto, a maioria dos membros da Comissão rejeitou, por seis votos a dois, o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes. Parlamentares do governo o apontam como um possível facilitador das fraudes, devido a suas políticas de desregulação do mercado financeiro.

Além disso, foi negada a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, como testemunha da CPI. Valdemar havia revelado que o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, fez uma doação de R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro, além de contribuições ao então candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A Comissão, por outro lado, aprovou a convocação da ex-noiva de Vorcaro, a empresária e influenciadora Martha Graeff, que teria recebido um imóvel avaliado em R$ 450 milhões do banqueiro. Os parlamentares acreditam que essa transação pode indicar ocultação de patrimônio.

Foi também aprovada a convocação de dirigentes e sócios da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, que foi utilizada para transportar aliados e parceiros em voos particulares. A senadora Soraya Thronicke (Podemos/MG), autora dos requerimentos, destacou que a empresa é uma “peça central” na rede de lavagem de dinheiro, evidenciando a proximidade do grupo com o núcleo político em investigação.

A convocação do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, também foi aprovada, uma vez que ele denunciou fraudes em crédito consignado que teriam causado prejuízos a servidores estaduais.

A CPI tinha a intenção de ouvir, nesta manhã, o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza. Contudo, uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou sua presença opcional, resultando em sua ausência na sessão.

Beneficiários finais do Master

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou um requerimento para identificar os beneficiários finais dos fundos de investimento geridos pelo Banco Master e pela Reag Investimentos, que estão no centro da investigação sobre a fraude financeira bilionária.

O requerimento solicita informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central (BC), à Receita Federal e à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

“Um desafio imenso nesse trabalho de identificação desse fluxo de lavagem de dinheiro é chegar ao beneficiário final. Hoje, você usa várias camadas de fundos para ocultar o verdadeiro destino e o verdadeiro dono do dinheiro”, explicou o relator.

Alessandro Vieira argumenta que esses fundos são frequentemente desviados para atividades ilícitas. “O capital ilícito é inserido no mercado financeiro formal e distanciado de sua origem criminosa por meio de sucessivas transações aparentemente regulares”, afirmou no requerimento.

Requerimentos rejeitados

Os integrantes da oposição expressaram descontentamento com a rejeição dos requerimentos que pediam a quebra de sigilos de membros do governo de Jair Bolsonaro, incluindo o ex-ministro Paulo Guedes e a convocação de Valdemar da Costa Neto. Também foram retirados pedidos de quebra de sigilos do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Cidadania, João Roma.

O senador Marco Rogério (PL-RO) defendeu que os pedidos extrapolam o escopo original da CPI e são motivados por disputas políticas. “Responsabilizar ou quebrar o sigilo em razão de uma pseudo-acusação de possível envolvimento é algo absurdo, é algo que fragiliza o papel da CPI”, justificou.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) ressaltou que o esquema do Banco Master se expandiu durante a gestão econômica do governo anterior, que deveria ter protegido o mercado de capitais. “Foi sob a guarda e proteção do Banco Central e do Ministério da Fazenda que

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