CPI do INSS não aprova relatório final e descarta indiciamento de Lulinha e outros 215 envolvidos
CPI do INSS rejeita relatório final e encerra atividades sem indiciamentos.
Na madrugada deste sábado, 28, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS decidiu rejeitar o relatório final elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O documento sugeria o indiciamento de diversas figuras, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e outros 211 indivíduos.
Após a votação, o presidente da Comissão, senador Carlos Viana, não aceitou a proposta de um texto alternativo pelos governistas e encerrou a reunião sem apresentar um relatório final. Isso significa que a CPI não conseguiu concluir suas investigações de forma oficial.
O relatório original também pedia a prisão preventiva de Lulinha, que atualmente reside na Espanha, sob a justificativa de risco de fuga. Curiosamente, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi excluído do documento, apesar de seu envolvimento em operações financeiras com o banqueiro.
A base governista se opôs à aprovação do relatório e apresentou uma proposta alternativa que incluía 170 indiciamentos, com destaque para o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de organização criminosa e improbidade administrativa. Contudo, essa versão não chegou a ser discutida pela comissão.
Para barrar a aprovação do relatório de Gaspar, o governo mobilizou seus aliados. O senador Jacques Wagner (PT-BA) fez um deslocamento urgente de Salvador a Brasília para participar da votação, enquanto o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi exonerado para ocupar sua cadeira no Senado e votar contra o relatório. Sua suplente, Margareth Buzetti, é parte da oposição ao governo Lula.
O relatório final foi lido na sexta-feira, 27, após o Supremo Tribunal Federal (STF) impedir a prorrogação dos trabalhos da CPI. Com 4.340 páginas, a leitura durou cerca de oito horas. Gaspar recomendou que os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, fossem investigados por possíveis crimes relacionados a influência nas relações com Vorcaro.
O documento revelou uma rede de 41 empresas que supostamente serviram para a lavagem de dinheiro e pagamento de propinas, movimentando aproximadamente R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025. A maioria dessas empresas apresentava características de fachada, indicando que eram utilizadas para transferências financeiras em intervalos curtos.
Indiciamentos propostos incluíam ex-ministros da Previdência de Lula e Bolsonaro.
O relatório também solicitou o indiciamento de dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, que atuou durante o governo Lula, e José Carlos Oliveira, que foi ministro no governo Bolsonaro. A Gaspar foram atribuídos crimes como prevaricação e fraude eletrônica.
Oliveira enfrentou acusações mais graves, incluindo organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de inserção de dados falsos em sistemas de informática.
A lista de indiciamentos proposta no relatório rejeitado pela CPI é extensa e inclui nomes de diversas pessoas envolvidas nas investigações, refletindo a complexidade e a gravidade das acusações levantadas durante os trabalhos da CPI.
