CPMI do INSS encerra trabalhos sem conclusão e rejeita relatório com mais de 200 indiciamentos
CPI do INSS encerra atividades sem relatório final e rejeita indiciamentos.
Na madrugada deste sábado (28), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS decidiu rejeitar o relatório final proposto pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).
O relatório, que continha mais de 200 indiciamentos, incluía nomes de figuras públicas como Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de políticos como o senador Weverton Rocha e a deputada Gorete Pereira.
Após a votação, o presidente da Comissão, senador Carlos Viana, não aceitou a proposta de um texto alternativo apresentada pelos membros governistas, encerrando a reunião sem apresentar um novo relatório final.
O documento rejeitado sugeria a prisão preventiva de Lulinha, atualmente residindo na Espanha, com a justificativa de risco de fuga. Curiosamente, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi excluído da lista de indiciamentos, apesar de sua conexão com operações financeiras controversas.
A base governamental se opôs à aprovação do relatório de Gaspar e apresentou uma versão alternativa que pedia 170 indiciamentos, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro por crimes como organização criminosa e improbidade administrativa. Contudo, essa versão não foi analisada pela comissão.
Para barrar a aceitação do relatório, o governo mobilizou aliados, incluindo o senador Jacques Wagner, que voou de Salvador para Brasília especificamente para a votação. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi exonerado para ocupar sua cadeira no Senado e participar da deliberação, enquanto sua suplente, Margareth Buzetti, representa a oposição.
O relatório final, lido na sexta-feira (27), foi impactado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu a prorrogação dos trabalhos da CPI. O texto abrangia 4.340 páginas e levou oito horas para ser lido, contendo recomendações para investigar ministros do STF por possíveis crimes relacionados a Vorcaro.
O documento também revelou uma rede de 41 empresas, supostamente utilizadas para lavagem de dinheiro e pagamento de propinas, que movimentaram cerca de R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025. A maioria dessas empresas apresentava características de serem de fachada, indicando um esquema complexo de transações financeiras.
Além disso, o relatório pedia indiciamentos de ex-ministros da Previdência de governos anteriores, como Carlos Lupi e José Carlos Oliveira, imputando a eles diversos crimes, incluindo prevaricação e corrupção.
A CPI do INSS, ao encerrar suas atividades sem um relatório final, deixa um cenário de incertezas e controvérsias sobre as investigações e os próximos passos a serem tomados em relação aos indiciamentos propostos.
