CPMI planeja ouvir Galípolo e Campos Neto no mesmo dia se prorrogação for aprovada, afirma Viana
Senador Carlos Viana busca convocar ex-presidentes do Banco Central em investigação sobre o INSS.
O senador Carlos Viana, presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), anunciou que pretende convocar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o atual chefe da autarquia, Gabriel Galípolo. A convocação, no entanto, está condicionada à prorrogação dos trabalhos da comissão.
Viana expressou a intenção de ouvir ambos os depoimentos no mesmo dia, visando evitar conflitos entre governo e oposição. Ele destacou a responsabilidade de ambos em relação ao caso do Banco Master, que está sob investigação devido à oferta de crédito consignado a aposentados e pensionistas.
Além dos ex-presidentes do Banco Central, o senador também planeja convocar representantes de grandes instituições financeiras, como Santander e Itaú Unibanco. Ele comentou que seu gabinete se tornou um espaço de defesa dos bancos, enfatizando a necessidade de responsabilização. Nesta semana, a CPMI deverá ouvir depoimentos de executivos da Crefisa e do C6 Bank, com a possibilidade de condução coercitiva para aqueles que não comparecerem.
Instalada em agosto, a CPMI tem autorização para funcionar até o dia 28 deste mês. Viana solicitou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uma prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias para aprofundar as investigações.
O senador também criticou a inação da Controladoria-Geral da União (CGU) em relação às denúncias envolvendo o INSS, afirmando que a CGU tinha conhecimento das irregularidades e não tomou as devidas providências. Ele citou especificamente a relação com a Contag, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, um órgão vinculado a movimentos de esquerda no Brasil.
Por outro lado, Viana elogiou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de proibir descontos automáticos nos benefícios do INSS por sindicatos e associações, reconhecendo a importância dessa medida para proteger os aposentados.
André Mendonça e o sigilo
O senador comentou sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a André Mendonça, que pediu a devolução dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Viana acredita que, após a separação do conteúdo pessoal do material relevante para a investigação, os dados serão devolvidos à CPMI.
Ele enfatizou que o foco da comissão é entender o destino dos recursos envolvidos nas fraudes em empréstimos consignados, e não detalhes pessoais. O Banco Master é alvo de investigações por suspeitas de irregularidades nesse tipo de crédito.
Sobre os habeas corpus concedidos por Mendonça, Viana reiterou a coerência do ministro. No entanto, ao ser questionado sobre a decisão do ministro Flávio Dino, que derrubou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, Viana considerou a medida “política”, embora respeite a ordem judicial.
Viana também esclareceu que a CPMI não poderá convocar governadores ou investigar parlamentares, uma vez que essa responsabilidade cabe ao STF. Ele ressaltou a importância de prestar contas aos aposentados e mencionou que bens apreendidos no inquérito poderão ser leiloados para ressarcir o governo, que já devolveu valores aos aposentados prejudicados pelos desvios.
