Daniel Vorcaro é transferido para presídio em Potim, interior de São Paulo
Proprietário do Banco Master é preso e transferido para penitenciária em São Paulo.
O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo e transferido na manhã de quinta-feira, 5 de março de 2026, para a Penitenciária 2 de Potim, localizada no interior do estado. A sua detenção ocorreu um dia antes, na capital paulista.
De acordo com informações do sistema prisional, Vorcaro se encontra em uma cela de isolamento, um procedimento padrão para novos detentos. Seu cunhado, Fabiano Zettel, também foi preso e levado para o mesmo estabelecimento prisional.
Após um período inicial de 10 dias em isolamento, Vorcaro deve ser transferido para o pavilhão do regime fechado, onde permanecerá enquanto responde às investigações em andamento.
A Penitenciária 2 de Potim se tornou um destino para presos de casos de grande repercussão nacional após mudanças no sistema penitenciário de São Paulo. A unidade assumiu essa função após a decisão do governo estadual no final de 2025, substituindo a Penitenciária 2 de Tremembé.
Entre os detentos notáveis que foram transferidos para Potim estão o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado por crimes de estupro, e o empresário Sérgio Nahas, que cumpre pena pelo assassinato da esposa. Outro caso relevante é o de Fernando Sastre, envolvido em um acidente em São Paulo em 2024.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva de Vorcaro e Zettel no dia 4 de março de 2026. Esta fase da operação investiga um grupo que supostamente monitorava e intimidava adversários de Vorcaro.
O despacho do ministro indica que Vorcaro teria emitido ordens diretas para intimidar concorrentes, ex-empregados e jornalistas que poderiam prejudicar os interesses do banco. Também foram encontrados indícios de que ele tinha acesso a informações sigilosas relacionadas a investigações em andamento.
As mensagens obtidas nas investigações sugerem que Zettel atuava como intermediário no esquema de intimidação, sendo responsável pelos pagamentos a membros do grupo.
Os presos preventivamente incluem:
- Daniel Vorcaro, identificado como líder da organização criminosa;
- Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e coordenar o núcleo de intimidação;
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado envolvido em atividades de monitoramento;
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, membro do grupo conhecido como “A Turma”.
Além das prisões, foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços relacionados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais. O ministro também determinou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
Na decisão que autorizou a nova fase da operação, Mendonça destacou que há indícios de que o grupo contratado por Vorcaro teve acesso a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como a Interpol. A prisão dos envolvidos foi justificada pela necessidade de proteger possíveis vítimas das ações ilícitas em investigação.
O QUE DIZ A DEFESA DE VORCARO
A defesa de Daniel Vorcaro declarou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e “colaborou de forma transparente com as investigações desde o início”. Em nota, os advogados negaram “categoricamente as alegações atribuídas” a Vorcaro e expressaram confiança de que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”.
Eis a íntegra da nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.”
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.”
“Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das
