Desafios e estratégias de Caxias do Sul para aumentar a arborização urbana e lidar com o clima extremo

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A arborização urbana de Caxias do Sul passa por debates e propostas de melhorias.

A arborização urbana tem sido um tema central nas discussões em Caxias do Sul desde o ano passado, abordando questões como podas, supressões e o manejo das árvores na cidade. O município é reconhecido por ter um Plano Diretor de Arborização Urbana (Pdau), que estabelece diretrizes sobre a gestão das árvores na área urbana.

O Pdau, criado em 2020, reúne normativas sobre plantio, diversidade de espécies e prazos para ações de arborização. No entanto, avaliações recentes indicam que o grande desafio reside na implementação efetiva das diretrizes contidas no documento, transformando o planejamento em ações práticas e contínuas.

A doutora Vania Schneider, bióloga e pesquisadora, destaca que muitas árvores na cidade apresentam danos visíveis, resultado de podas inadequadas ao longo dos anos. Ela enfatiza a necessidade urgente de um manejo cuidadoso e a priorização de espécies nativas para garantir a saúde das árvores urbanas.

Vania aponta que a infraestrutura urbana, especialmente o calçamento, impacta diretamente na arborização. As árvores, muitas vezes plantadas em espaços limitados e cimentados, crescem de forma comprometida, o que pode levar a danos nas calçadas e prejudicar seu desenvolvimento.

VANIA SCHNEIDER

Bióloga, pesquisadora e professora da área hídrica e desastres.

As árvores têm dificuldade para captar água, o que prejudica seu crescimento e a capacidade da cidade de absorver chuvas, resultando em problemas de alagamentos e danos nas calçadas.

Espécies exóticas e árvores que crescem além do espaço disponível intensificam o dilema da arborização em Caxias do Sul. A área central, com alta circulação de pessoas e veículos, é a que mais precisa de atenção, já que a falta de vegetação contribui para a formação de ilhas de calor.

Um estudo realizado em fevereiro do ano passado revelou diferenças significativas de temperatura em áreas urbanas. Em um trecho asfaltado, a temperatura chegou a 46,9°C, enquanto em uma quadra arborizada, a temperatura era de 28°C, evidenciando a importância das árvores na regulação térmica da cidade.

O Centro, com suas construções altas e predominância de vidro, enfrenta problemas de circulação de ar, contribuindo para o aumento da temperatura. As árvores desempenham um papel crucial na mitigação desse aquecimento, absorvendo radiação e oferecendo serviços ambientais essenciais.

Que soluções Caxias poderia adotar

As dificuldades na arborização urbana não são exclusivas de Caxias do Sul, mas existem alternativas para transformar pequenos espaços em áreas verdes. As florestas de bolso, um conceito desenvolvido por um botânico brasileiro, têm sido aplicadas em várias cidades, focando na restauração ecológica através da reintrodução de vegetação nativa.

Essa abordagem permite que canteiros, praças e terrenos abandonados sejam convertidos em pequenas florestas, contribuindo para a biodiversidade urbana. A pulverização dessas florestas pela cidade é fundamental para maximizar seus benefícios, com áreas a partir de 50 metros quadrados sendo adequadas para esse tipo de projeto.

Outra proposta é a substituição de estacionamentos por espaços arborizados, criando áreas verdes em locais de grande circulação. Essa estratégia, juntamente com a criação de um departamento dedicado à arborização, poderia ajudar a melhorar a gestão das árvores na cidade.

RICARDO CARDIM

Botânico e paisagista, criador do conceito de Florestas de Bolso.

Cidades ricas como Caxias do Sul têm a capacidade de investir em arborização. É essencial priorizar a adaptação ao cenário climático atual.

Aceno de mudanças e projetos para aproximar a arborização do Pdau

Recentemente, a Secretaria Municipal de Gestão

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