Desgaste entre Tarcísio e Kassab se intensifica, e rumores de saída do governo ganham força
Relação entre governador de São Paulo e secretário de Governo atinge ponto crítico.
O relacionamento entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e seu secretário de Governo, Gilberto Kassab, passou por um desgaste significativo nas últimas semanas, culminando em uma situação tensa. Interlocutores afirmam que o clima entre os dois se deteriorou, e Kassab pode deixar a gestão estadual em breve.
Aliados do governador revelam que Tarcísio se mostrou incomodado com a estratégia de Kassab de expandir seu partido, o PSD, ao atrair prefeitos e deputados de outras legendas que compõem a base governamental. Essa movimentação gerou instabilidade política e complicações nas articulações necessárias para a governança.
Além disso, Tarcísio expressou insatisfação em relação à pressão para que Kassab fosse escolhido como vice na chapa para as próximas eleições. Essa posição é disputada com o atual vice, Felício Ramuth, e André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa.
O governador também ficou irritado com o vazamento de informações sobre uma investigação envolvendo Ramuth, que é suspeito de lavagem de dinheiro. Apesar das negações do vice, Tarcísio minimizou a situação, afirmando que “fofocas antes de eleições sempre existem” e negou que isso afetasse a formação da chapa.
Especulações surgem entre integrantes da base sobre a origem do vazamento, com alguns sugerindo que pode ter sido uma manobra de Kassab ou de André para prejudicar as chances de Ramuth. Ambos negaram qualquer envolvimento no episódio.
Como secretário de Governo, Kassab teve um papel significativo na filiação de prefeitos ao PSD, multiplicando o número de filiados. No entanto, essa estratégia gerou descontentamento entre outras legendas, que acusaram Kassab de usar sua influência para favorecer seu partido em detrimento da estabilidade da gestão.
O descontentamento também se manifestou em outras legendas, como o PP, que ameaçou lançar um candidato próprio ao governo, citando falta de atenção do governo às suas demandas. No final do ano passado, Kassab chegou a considerar a possibilidade de deixar o governo para coordenar as eleições, mas a conversa com Tarcísio não resultou em uma decisão formal.
Interlocutores preveem que Kassab deve sair da pasta até abril, uma vez que Tarcísio deixou claro que espera que os membros da gestão estejam focados no governo e não nas campanhas eleitorais. No entanto, a possibilidade de uma saída antecipada é considerada, dada a tensão atual entre os dois.
Kassab, por sua vez, deseja permanecer no cargo até a janela partidária em abril, evitando um rompimento que possa levar à saída de deputados do PSD e enfraquecer a chapa para as eleições. A reunião marcada entre Kassab e outros governadores é vista como uma demonstração de força do PSD e um lembrete da importância do partido para Tarcísio em sua reeleição.
TROCA DE FARPAS
O desconforto entre Tarcísio e Kassab se intensificou após as eleições municipais de 2024, com a percepção de que Kassab prioriza seus próprios interesses e os do PSD em detrimento do governo. A insistência do secretário em ser o vice também não agradou Tarcísio, que busca alguém que não tenha intenções de sucedê-lo imediatamente.
O desgaste se tornou evidente em uma declaração de Kassab sobre a relação de Tarcísio com o ex-presidente Jair Bolsonaro, onde ele sugeriu que o governador precisava mostrar sua identidade política. Essa afirmação foi mal recebida, levando Tarcísio a reafirmar sua lealdade a Bolsonaro, desassociando-a de submissão.
Recentemente, em um evento, Tarcísio fez comentários que pareciam ser direcionados a Kassab, ressaltando que lealdade não deve ser confundida com submissão. Em resposta, Kassab postou nas redes sociais uma mensagem que foi interpretada como uma indireta ao governador, ressaltando a importância de ter bons amigos e conselheiros.
