Dilema da IA envolve a necessidade de aumentar produtividade enquanto se preserva a confiança

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Inteligência artificial se torna essencial na governança empresarial

Na manhã desta terça-feira (24), no auditório envidraçado do Distrito Itaqui, ocorreu um painel sobre inteligência artificial (IA) com foco em governança, no evento IT Forum na Mata. A discussão abordou a transição da IA de um conceito experimental para uma ferramenta central nas decisões estratégicas das empresas, impulsionada pela necessidade de produtividade e confiança.

O CIO da StartSe, Cristiano Kruel, destacou a importância da IA no comércio digital, mencionando que na NRF, uma das principais feiras de varejo, os temas predominantes foram “AI” e “trust”. Ele enfatizou que a adoção de agentes autônomos está reformulando o setor, citando o investimento significativo do CEO do Google em e-commerce. Essa mudança, segundo ele, altera a lógica dos negócios, passando de interfaces para agentes.

Mayla Fernandes, CIO da Naturgy, abordou a perspectiva prática da IA no setor de gás encanado, destacando que a experiência do cliente é crucial. Ela observou que 90% dos clientes expressam insatisfação, o que levou a empresa a integrar a IA em suas operações. A tecnologia é utilizada em chatbots e autoatendimentos, visando resolver problemas de forma eficiente, ao invés de se preocupar apenas com a estética das soluções.

O conceito de “invisibilidade” foi mencionado por Mayla, que acredita que a verdadeira escalabilidade da IA se dará quando os clientes perceberem a tecnologia como uma solução rápida, sem notar sua presença.

Papel da governança

Durante o painel, Kruel provocou uma reflexão sobre a governança da IA, sugerindo que ela não deve ser apenas uma restrição, mas sim uma orientação que promova o uso responsável. Ele defendeu a criação de manifestos de IA, que possam inspirar inovações em vez de proibições.

Mayla compartilhou a experiência da Naturgy, onde foram feitos investimentos significativos em educação sobre IA. A empresa criou uma academia interna e implementou um workflow inteligente para a solicitação de projetos, que avalia riscos e alinhamento estratégico de forma ágil. “A governança precisa servir à estratégia, e não o contrário”, afirmou.

O debate também abordou o risco reputacional, especialmente em setores regulados, onde a confiança é fundamental para a adoção de novas tecnologias. A dualidade entre conformidade e performance foi identificada como um dilema importante, ressaltando a necessidade de cumprir normas sem comprometer resultados.

Kruel comparou diferentes abordagens de governança, citando a rapidez da OpenAI em lançar produtos e a estratégia do Google de manter soluções por mais tempo. Ele destacou que a percepção de risco pela liderança influencia diretamente a governança adotada.

O consenso final foi claro: enquanto a tecnologia pode ser artificial, a responsabilidade na sua utilização deve ser genuína. É essencial encontrar um equilíbrio entre inovação e governança eficaz.

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