Dino revoga censura imposta a série sobre Arautos do Evangelho
Ministro do STF revoga censura a documentário sobre ordem católica.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou uma ordem de censura que impedia a divulgação da série “Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho”, produzida pela HBO. A decisão foi tomada na terça-feira, 3 de março de 2026, e permite que o documentário seja lançado na plataforma de streaming.
A série investiga denúncias de abuso psicológico por membros da organização Arautos do Evangelho no Brasil. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia suspendido a divulgação do documentário a pedido da Warner Brasil, alegando que ele continha informações sobre um inquérito cível em andamento que deveria ser mantido em sigilo.
Flávio Dino, no entanto, argumentou que a censura prévia não era justificável. A produtora do documentário defende que todo o material foi obtido de forma legal, utilizando fontes públicas, entrevistas e pesquisas históricas, e nega ter acesso ao inquérito sigiloso que tramita em uma promotoria de Caieiras, São Paulo.
O ministro destacou que, embora seja possível que a associação ou pessoas associadas a ela busquem indenizações por eventuais danos, a imposição de censura prévia não é aceitável. Ele enfatizou que a decisão do STJ não pode presumir que a série usará informações protegidas apenas pela semelhança dos fatos tratados.
Dino também ressaltou a importância da liberdade religiosa, afirmando que esta não se limita apenas ao exercício de cultos, mas inclui o direito à crítica. A intervenção do Judiciário não deve ultrapassar seus limites, segundo ele.
Em outubro de 2019, o programa Fantástico, da TV Globo, noticiou que o Ministério Público de São Paulo estava investigando relatos de abuso sexual, psicológico e racismo envolvendo a organização. Os Arautos do Evangelho foram fundados em 2002 por monsenhor João Clá Dias, como uma dissidência da tradicionalista TFP (Tradição, Família e Propriedade), e afirmam ter 15 colégios no Brasil com cerca de 700 alunos.
O Poder360 tentou contato com a associação para obter um posicionamento sobre a decisão, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
