Eduardo Leite divulga novo Plano de Irrigação Resiliente
Plano Irrigação Resiliente: Estratégia de R$ 60 bilhões para o Rio Grande do Sul
Na 26ª Expodireto Cotrijal, o governador Eduardo Leite anunciou a criação do Plano Irrigação Resiliente, uma iniciativa voltada para expandir a área irrigada no Rio Grande do Sul e mitigar os impactos das estiagens frequentes, assegurando maior previsibilidade para a produção agrícola e a economia estadual.
O projeto será apresentado ao governo federal em reuniões agendadas em Brasília. A proposta inclui ações para a construção de infraestrutura hídrica e energética, além de incentivos para tecnologias de irrigação. Leite destacou que “investir em irrigação é proteger o produtor e reduzir perdas em períodos de estiagem”.
O diagnóstico do plano reconhece que os desastres climáticos, como as estiagens severas, têm se tornado um desafio estrutural para o desenvolvimento do Estado. Recentemente, esses eventos causaram perdas bilionárias, afetando a arrecadação pública e a estabilidade econômica. O Rio Grande do Sul foi considerado o mais impactado por desastres naturais nas últimas décadas.
Em 2022, a estiagem resultou em uma redução de até 40% na produção de milho e soja, com perdas estimadas em R$ 36 bilhões. Esses danos não apenas comprometeram os produtores, mas também impactaram a arrecadação estadual e o PIB do Estado, evidenciando a vulnerabilidade econômica diante das mudanças climáticas.
O plano prevê a criação de até 2,68 milhões de hectares irrigados, com investimentos que podem alcançar R$ 60 bilhões. Esses recursos serão direcionados para:
- Infraestrutura hídrica: construção de reservatórios, barragens e canais de distribuição.
- Energia: ampliação da capacidade elétrica para suportar sistemas de irrigação modernos.
- Tecnologia: estímulo à adoção de sistemas de irrigação inteligentes, que visam reduzir desperdícios e aumentar a eficiência.
Serão implementados mecanismos de financiamento acessíveis para pequenos e médios produtores, que são os mais vulneráveis às quebras de safra. Nesse contexto, a irrigação é vista não apenas como uma tecnologia agrícola, mas como uma política de resiliência climática e econômica.
A importância do anúncio na Expodireto se destaca considerando que o Rio Grande do Sul representa cerca de 15% da produção nacional de grãos, mas enfrenta estiagens que comprometem a competitividade do setor. A estratégia de irrigação resiliente é uma tentativa de estabilizar a produção e reduzir a volatilidade econômica, assegurando a segurança alimentar.
Leite busca construir um diálogo com o setor produtivo antes de levar a proposta a Brasília, indicando que o plano resulta de uma agenda construída em colaboração com aqueles que enfrentam os impactos das estiagens. A iniciativa conecta três dimensões centrais:
- Economia: busca de previsibilidade e estabilidade fiscal, minimizando perdas financeiras.
- Produtividade: fortalecimento das cadeias agroindustriais e garantia de competitividade.
- Resiliência climática: adaptação às mudanças ambientais e proteção dos produtores.
Ao levar o plano a Brasília, Leite pretende garantir apoio federal para transformá-lo em uma política nacional. A expectativa é que a irrigação resiliente se torne um marco para o enfrentamento das estiagens, colocando o Rio Grande do Sul em destaque na agenda climática e agrícola do Brasil.