Eleições em Portugal: Brasileiros enfrentam medo e incerteza com ascensão de candidato anti-imigração
Clima de incerteza marca as vésperas do 2º turno das eleições em Portugal.
Às vésperas do 2º turno das eleições em Portugal, a comunidade brasileira no país expressa um clima de apreensão e incerteza. Imigrantes relatam preocupações sobre o futuro, especialmente em relação às políticas do candidato da extrema direita, André Ventura.
Letícia Bergamo, brasileira que vive em Portugal há nove anos, lidera uma comunidade de apoio a mães de crianças autistas e com deficiência. Ela destaca que muitos imigrantes se sentem ameaçados, temendo a possibilidade de perder a cidadania e a interrupção de processos de regularização.
Eliane Oliveira, que chegou recentemente ao país para trabalhar como babá, observa que muitos brasileiros estão apreensivos com as eleições. Segundo ela, a retórica do candidato Ventura provoca medo entre os imigrantes, que temem que, caso ele vença, suas vidas se tornem inviáveis.
Caroline Campos, advogada de imigração, critica a forma como a extrema direita utiliza a imigração como bode expiatório para problemas sociais. Ela afirma que questões como saúde e educação estão sendo negligenciadas em favor de um discurso de ódio que culpa os imigrantes pelos problemas do país.
Como parte de sua campanha, o partido Chega, de Ventura, espalhou outdoors com mensagens como “Devolvam Portugal aos portugueses”. Apesar de uma ordem judicial para a retirada dessas propagandas, a mensagem já se disseminou amplamente nas redes sociais.
Letícia Bergamo defende que as acusações de que imigrantes se aproveitam de subsídios são infundadas, já que para receber qualquer benefício é necessário estar com a documentação regularizada. Eliane Oliveira complementa que a obtenção de moradia e serviços bancários só é possível com a documentação em dia.
Ambas as brasileiras concordam que a imigração não é a raiz dos problemas enfrentados pelo país. Caroline Campos ressalta que o presidente de Portugal exerce uma função mais cerimonial, enquanto o primeiro-ministro é quem toma as decisões que impactam a sociedade. Ela acredita que o verdadeiro poder reside nas mãos do governo, que possui a capacidade de implementar mudanças significativas.
