Embaixador do Irã na ONU afirma que país nunca será submisso aos EUA
Embaixador do Irã defende ataques como autodefesa em reunião da ONU.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que os recentes ataques do país a alvos no Oriente Médio são uma forma de autodefesa contra os “crimes de guerra” cometidos pelos Estados Unidos. Ele enfatizou que o Irã não se tornará submisso às demandas norte-americanas.
Iravani fez essas declarações após a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques coordenados dos EUA e de Israel em Teerã. Embora o embaixador tenha criticado os ataques, ele não confirmou a morte do líder, que foi posteriormente confirmada pela mídia estatal iraniana.
Durante uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador lamentou que alguns países tenham apoiado as ações agressivas dos EUA e de Israel, enquanto condenavam o Irã por exercer seu direito à autodefesa, conforme previsto na Carta das Nações Unidas. Ele expressou gratidão à China e à Rússia pelo apoio manifestado.
Segundo Iravani, os ataques dos EUA atingiram áreas densamente povoadas, resultando na morte de centenas de civis. O porta-voz do Crescente Vermelho iraniano relatou que, até o momento, 201 pessoas haviam morrido e 747 ficado feridas devido aos bombardeios.
O embaixador também mencionou um ataque em uma escola na cidade de Minab, onde mais de 100 crianças teriam sido mortas. Ele classificou esses atos como crimes de guerra e contra a humanidade.
Desinformação e Agressões
Iravani acusou o embaixador dos EUA na ONU, Michael Waltz, de usar desinformação para justificar as agressões. Waltz alegou que o Irã manteve suas “ambições nucleares” mesmo diante de oportunidades de resolução pacífica. O embaixador iraniano refutou essas alegações, afirmando que os ataques norte-americanos visam violar a soberania do Irã.
Ele destacou que as alegações de ameaças iminentes não justificam a agressão, considerando-as infundadas e contrárias aos princípios da ONU. Iravani também negou que haja uma ameaça iminente ao povo americano, caracterizando isso como uma tentativa de enganar a opinião pública.
O embaixador do Irã criticou a política externa dos EUA, que, segundo ele, tem sido baseada em intervenções ilegais e manipulações para alterar a governança de outros países.
Retaliação
Iravani descreveu Israel como um regime terrorista e afirmou que suas ações, juntamente com as dos EUA, constituem uma grave violação do direito internacional. Ele mencionou que já havia comunicado ao Conselho de Segurança sobre as ameaças e ações hostis do presidente dos EUA, sem obter resposta.
Ele declarou que a retaliação do Irã é um direito legítimo de defesa, conforme o artigo 51 da Carta da ONU, e que os ataques iranianos são direcionados exclusivamente a bases e ativos dos EUA fora do controle dos países anfitriões.
Iravani reafirmou que o Irã não se submeterá às pressões externas e que o desejo dos EUA de dominar o país jamais se concretizará.
Discursos
O embaixador dos EUA na ONU criticou a hipocrisia de seu país em relação aos direitos humanos, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a morte de civis nos ataques, mencionando pelo menos 85 vítimas em uma escola na província de Moghan.
Guterres alertou que a situação na região está se tornando cada vez mais volátil, com relatos de ataques com drones e mísseis de ambos os lados no Iraque. Ele também mencionou o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma importante rota de transporte de petróleo.
O secretário-geral condenou tanto os ataques dos EUA e de Israel quanto as retaliações do Irã, ressaltando a violação da soberania de vários países da região.
