Embarques de café registram queda de quase 31% em janeiro, gerando preocupação no setor
Exportações brasileiras de café têm início lento em 2026, com queda significativa nos embarques.
As exportações de café do Brasil iniciaram o ano de 2026 com um desempenho abaixo do esperado. Em janeiro, foram embarcadas 2,78 milhões de sacas de 60 quilos, o que representa uma queda de 30,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este é o menor número de embarques para um mês de janeiro desde a safra 2017/18.
Pesquisadores indicam que essa queda nas exportações está diretamente ligada à oferta restrita. A safra de 2025/26 teve um volume reduzido, enquanto os estoques internos permanecem limitados, dificultando a disponibilidade para exportações. Essa situação deve persistir até que a colheita da temporada 2026/27 entre no mercado de maneira mais robusta, o que é esperado apenas entre maio e junho.
Além disso, os elevados preços do café, especialmente nos primeiros meses da safra em questão, também contribuíram para a desaceleração nos embarques. Os preços altos diminuíram a competitividade do café brasileiro em determinados mercados, afetando a dinâmica das negociações internacionais.
Mercado interno sente impacto nos preços
No mercado interno, a redução nas exportações, somada às expectativas de uma safra mais volumosa em 2026/27, está impactando os preços do café. Dados apontam que as cotações começaram a apresentar quedas significativas desde o início do ano.
O Indicador Cepea/Esalq do café arábica tipo 6, considerado de melhor qualidade, teve uma desvalorização de aproximadamente 14% em 2026. Para o café robusta, a queda é ainda mais acentuada, atingindo cerca de 17% no mesmo período.
Essa combinação de uma demanda externa mais moderada no começo do ano, ajustes nas previsões de oferta e movimentações técnicas do mercado contribuiu para a retração das cotações internas, refletindo em um cenário desafiador para o setor.
