Empresário permanece em silêncio durante depoimento à CPMI do INSS
Empresário Paulo Camisotti se recusa a depor sobre esquema de desvio de recursos do INSS.
Convocado a depor como testemunha em uma investigação sobre um esquema criminoso que desviou bilhões de reais de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Paulo Camisotti optou pelo silêncio durante sua participação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, realizada na última quinta-feira.
Com apenas 33 anos, Camisotti é apontado como dirigente de mais de 20 empresas que estão sob investigação na Operação Sem Desconto. Ele é filho e sócio de Maurício Camisotti, que está preso desde setembro de 2025, acusado de ser um dos principais responsáveis pela fraude que afetou milhões de segurados do INSS em todo o Brasil.
Durante seu depoimento, Paulo Camisotti, amparado por um habeas corpus e orientado por seu advogado, exerceu seu direito constitucional de não responder a perguntas que poderiam incriminá-lo. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi o primeiro a questioná-lo. Camisotti limitou-se a confirmar sua posição como presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e sua relação familiar com Maurício Camisotti, sem responder a questionamentos sobre possíveis condenações judiciais.
O relator destacou que as empresas da família Camisotti movimentaram mais de R$ 800 milhões, dos quais mais de R$ 350 milhões foram diretamente para os membros da família, com Maurício Camisotti sendo o principal beneficiário do esquema fraudulento.
Alfredo Gaspar comparou a influência da família Camisotti à de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um lobista identificado como um dos principais operadores da fraude. Gaspar enfatizou que, embora Antunes seja um grande operador do esquema, a rede montada pelos Camisotti é ainda mais robusta.
O relator denunciou que a família Camisotti criou uma estrutura de serviços fictícios que desviava recursos das associações que controlavam, resultando em perdas significativas para aposentados e pensionistas. Ele citou que a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) recebeu quase R$ 500 milhões em descontos por serviços que não foram prestados.
Gaspar também revelou que a diretoria da Ambec era composta por pessoas com laços familiares próximos a Paulo Camisotti, incluindo primos e tios, além de funcionários das empresas da família. Ele lembrou que Antunes, o Careca do INSS, era procurador da Ambec, ligando ainda mais os envolvidos ao esquema fraudulento.
Em uma acusação direta, Gaspar afirmou que Paulo Camisotti e sua família foram responsáveis por desviar milhões de reais dos cidadãos brasileiros.
A defesa de Paulo Camisotti não se manifestou sobre as acusações durante a audiência pública.