Erika Hilton conquista novo passaporte após obtenção de visto masculino dos EUA
Erika Hilton recebe novo passaporte diplomático após recusa de visto nos EUA
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) anunciou a obtenção de um novo passaporte diplomático do Ministério das Relações Exteriores. Essa ação foi motivada pela decisão do governo dos Estados Unidos, que concedeu a ela um visto registrado com gênero masculino, desconsiderando sua identidade como pessoa transsexual.
O visto foi emitido no início da gestão Trump, em abril de 2025. Em resposta, a parlamentar planejou apresentar uma ação junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Para ela, a decisão não apenas desrespeitou sua dignidade, mas também infringiu as prerrogativas diplomáticas do Brasil ao modificar um documento de gênero reconhecido pelo país.
Em entrevista, Hilton destacou o valor simbólico do novo passaporte. “Eu não queria um carimbo no meu passaporte com tamanha violência, então pedi a emissão de um novo. O meu passaporte antigo está guardado, mas o novo está comigo”, explicou.
Em relação à ação contra o governo americano na ONU, a deputada reconheceu que a organização enfrenta uma sobrecarga de conflitos internacionais, o que dificulta uma resposta rápida. “O mundo está em guerra. A ONU precisa se manifestar em outras instâncias, não apenas sobre a violência que eu sofri”, afirmou.
Hilton considerou que o episódio do visto é apenas um exemplo de ações arbitrárias de Donald Trump na política internacional. “O direito internacional foi rasgado e isso impede qualquer resolução para o problema”, disse a deputada.
Até que a situação nos Estados Unidos se normalize, ela não vê possibilidade de visitar o país. “Para eu pisar nos Estados Unidos, preciso abrir mão da minha identidade, o que não farei. A situação lá tem sido ameaçadora e perigosa”, declarou.
Além disso, Erika Hilton abordou a resistência de parlamentares conservadores à sua eleição como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Ela ressaltou que críticas à sua atuação são válidas, desde que respeitem sua identidade de gênero. “É legítimo questionar se eu, com minha vivência, conseguirei atuar. Mas isso se torna transfobia quando nega minha identidade”, explicou.
A deputada também destacou que o perfil das mulheres na política é diverso. “Quem ocupa a presidência da comissão não representa todas as mulheres, mas um nicho dentro de um grupo maior”, concluiu. Hilton enfatizou que a representação feminina na política é complexa e não se limita a um único perfil.
