Espanha planeja centro de dados para inteligência artificial militar em Soria
Ministério da Defesa da Espanha investe em um novo centro de dados em Sória, unindo tecnologia e defesa.
Há mais de dois mil anos, os habitantes da colina de Numância optaram pela resistência diante do cerco das legiões romanas, um ato que se tornou um símbolo de bravura e perseverança na história de Sória.
Agora, nas proximidades, no parque industrial de Valcorba, o Ministério da Defesa espanhol planeja erigir uma nova fortaleza: um centro de dados denominado Numant-AI, onde a defesa será sustentada por servidores, algoritmos e inteligência artificial.
Um projeto singular
Enquanto a tecnologia e as forças armadas parecem distantes em outros países, a Espanha avança com um projeto inovador que integra esses dois setores. O governo lançou o Numant-AI, que receberá um investimento robusto e será dedicado a fornecer poder computacional para aplicações de inteligência artificial.
O projeto, oficialmente chamado Centro de Capacidades Tecnológicas Avançadas de Defesa (CESTIC), faz parte do Plano Anual de Aquisições do Ministério da Defesa para 2026, que abrange um total de 7.868 propostas e 156 acordos-quadro, totalizando € 10,102 bilhões (aproximadamente R$ 60,7 bilhões).
Sória, uma nova capital tecnológica
O centro de dados, anunciado em setembro, será estabelecido em Sória, utilizando um espaço de quase quatro hectares cedido pela Prefeitura local. O Tenente-General José María Millán, diretor do CESTIC, destacou que o centro incorporará “sistemas de inteligência artificial em benefício das Forças Armadas”.
Aplicações militares
O investimento inicial de € 70 milhões (cerca de R$ 420,7 milhões) foi elevado para quase € 130 milhões (cerca de R$ 781,4 milhões), e será financiado pelo Ministério da Defesa. Os recursos serão utilizados para processar dados confidenciais em operações logísticas e aplicações militares, que serão parte fundamental do projeto.
Essa iniciativa está alinhada com outras ações das Forças Armadas, como o desenvolvimento do Gonzalo, um sistema semelhante ao “ChatGPT” voltado para uso militar, projetado para oferecer suporte seguro em tarefas específicas.
Empregos e equipe
O centro contará com cerca de 20 funcionários permanentes, operando 24 horas por dia, 7 dias por semana. A construção do data center, segundo o Ministério da Defesa, proporcionará “um impacto econômico e de emprego significativo na cidade”.
Sabemos quando, mas não sabemos o quê
O Ministério da Defesa prevê um período de construção de 24 meses, com a expectativa de que o centro esteja operacional no início de 2028. Contudo, detalhes sobre a infraestrutura e a capacidade real do data center ainda não foram divulgados.
Serão investidos € 67,88 milhões (aproximadamente R$ 408 milhões) em sistemas de informação e servidores, cujos detalhes ainda não foram definidos. A construção será financiada com € 58,68 milhões (cerca de R$ 352,7 milhões), e uma verba adicional de € 1,65 milhão (cerca de R$ 9,9 milhões) não possui finalidade específica.
Soberania e descentralização
A escolha de Sória como sede do centro de dados reflete a estratégia de descentralização das Forças Armadas, com o orçamento de defesa sendo distribuído em vários projetos pelo país, visando evitar a centralização excessiva de instalações críticas.
Essa abordagem também demonstra o esforço contínuo da Espanha e da Europa em buscar soluções que promovam um maior grau de soberania digital.
