Especialista em saúde social Kasley Killam afirma que nova fronteira da saúde está nas relações humanas

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Discussão sobre a saúde social destaca a importância das conexões humanas no SXSW.

Em meio aos debates sobre inteligência artificial, inovação e transformação digital na 40ª edição do SXSW, em Austin, nos Estados Unidos, um tema essencialmente humano se destacou: a conexão entre pessoas.

No palco do festival, a especialista em saúde social, autora do livro “A arte e a ciência da conexão humana”, defendeu a necessidade de ampliar a compreensão sobre o conceito de saúde. Para ela, além da saúde física e mental, a saúde social é um pilar fundamental.

A especialista enfatizou que milhares de estudos demonstram como as conexões humanas impactam nossa longevidade, sistema imunológico e funcionamento cognitivo.

A saúde social é definida como a dimensão do bem-estar relacionada à qualidade das relações humanas, abrangendo vínculos próximos com familiares e amigos, bem como a sensação de pertencimento a comunidades.

Ela comparou a saúde a um templo, onde o corpo representa a saúde física, a mente simboliza a saúde mental e as relações constituem a saúde social. Caso um desses pilares enfraqueça, toda a estrutura pode desmoronar.

Solidão como risco global

A urgência do tema é evidenciada pelos dados apresentados. Estudos indicam que a ausência de conexões sociais já afeta diretamente a saúde pública global. Estimativas apontam que solidão e falta de interação regular podem estar associadas a até 871 mil mortes prematuras anualmente.

Pessoas com laços sociais frágeis têm um risco significativamente maior de mortalidade. Indivíduos com pouco contato social ou vínculos familiares fracos podem ter até 53% mais risco de falecer por qualquer causa. Globalmente, uma em cada seis pessoas relata sentir solidão, com variações entre países e culturas.

Nova economia baseada em conexão

Além das implicações sociais e de saúde pública, o tema começa a ganhar relevância econômica. Relatórios de tendências globais sugerem que a saúde social pode se tornar um motor da próxima fase da economia do bem-estar.

A especialista observou o surgimento de um novo mercado, afirmando que a próxima economia trilionária de bem-estar será construída em torno da conexão humana.

Esse movimento pode impactar diversos setores, incluindo tecnologia, saúde, educação, urbanismo, hospitalidade e ambiente de trabalho.

A saúde social, segundo ela, encontra-se em um estágio semelhante ao que a saúde mental ocupava há cerca de 15 anos, ainda emergente, mas rapidamente se aproximando do mainstream.

Trabalho conectado, empresas mais produtivas

No ambiente corporativo, os efeitos das conexões sociais também são visíveis. Pesquisas indicam que profissionais que mantêm relações fortes com colegas de trabalho apresentam níveis significativamente maiores de engajamento.

Funcionários conectados são até sete vezes mais propensos a se sentir engajados, produzem trabalhos de maior qualidade e têm menor probabilidade de deixar a empresa.

Por isso, a especialista defende que as organizações adotem uma abordagem estruturada em relação à saúde social, com estratégias claras para suas equipes, sejam elas presenciais, híbridas ou remotas.

Tecnologia, IA e o paradoxo da conexão

A tecnologia desempenha um papel central nesse debate. Novas plataformas e aplicativos estão sendo desenvolvidos para facilitar conexões entre pessoas, mas o avanço da inteligência artificial traz novos dilemas.

Dados indicam que 49% da geração Z já desenvolveu algum tipo de relação significativa com companheiros de IA, e 37% afirmam que poderiam se apaixonar por uma inteligência artificial.

Isso levanta questões importantes sobre o futuro, levando empreendedores e investidores a refletirem se estão criando ferramentas que fortalecem ou substituem as conexões humanas.

A volta do “analógico”

Sinais de reação ao excesso digital começam a surgir. A geração Z tem impulsionado uma busca por experiências presenciais.

O ano de 2026 foi declarado por muitos jovens como o “ano do analógico”, com uma crescente demanda por encontros presenciais, comunidades locais e interações reais. Isso reforça a ideia de que nada substitui a conexão humana presencial.

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