Esquerda retoma Presidência de Portugal após 20 anos com fim de governo seguro
António José Seguro é eleito presidente de Portugal, marcando um retorno da esquerda ao cargo.
António José Seguro, de 63 anos, foi eleito presidente de Portugal, representando o centro-esquerda e apoiado pelo Partido Socialista (PS). Ele obteve uma vitória expressiva sobre André Ventura, do partido Chega, no segundo turno das eleições realizadas no dia 8 de fevereiro de 2026. A cerimônia de posse está agendada para o dia 9 de março.
Com 92,72% das urnas apuradas, Seguro alcançou 65,46% dos votos, enquanto Ventura obteve 34,54%. O candidato do Chega reconheceu a derrota e desejou sucesso ao adversário. A vitória de Seguro traz um alívio para a esquerda, que enfrenta um período de desgaste e diminuição de representatividade na Assembleia da República, o parlamento português.
Desde 2006, Portugal não tinha um presidente alinhado à esquerda, quando Jorge Sampaio deixou o cargo, sendo sucedido por Aníbal Cavaco Silva. O sistema de governo português é semipresidencialista, com o primeiro-ministro exercendo a função de chefe de governo e o presidente da República atuando como chefe de Estado. Nas eleições legislativas, os eleitores votam em partidos, enquanto nas eleições presidenciais, as candidaturas são individuais, embora possam receber apoio de partidos.
O presidente de Portugal possui funções significativas, como a nomeação do primeiro-ministro, a promulgação ou veto de leis, a convocação de referendos, o comando das Forças Armadas e a representação do Estado em assuntos internacionais. Além disso, o presidente pode demitir o governo, dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições.
O primeiro turno das eleições presidenciais foi marcado por uma grande fragmentação e pela imprevisibilidade, com um número elevado de candidatos. Apesar de Seguro ser um dos favoritos, outros candidatos de direita, como Ventura e João Cotrim Figueiredo, também apresentaram chances de avançar na disputa. No final, Seguro obteve 31,1% dos votos, enquanto Ventura ficou com 23,5%.
A campanha de Seguro foi impulsionada pelo apelo ao voto útil, e ele liderou as pesquisas desde o resultado do primeiro turno, chegando a ter uma vantagem de mais de 20 pontos percentuais sobre Ventura. Seguro se beneficiou da transferência de votos de candidatos eliminados no primeiro turno, especialmente de Luís Marques Mendes, além de Henrique Gouveia e Melo e João Cotrim Figueiredo.
O líder do Chega, Ventura, enfrenta altos índices de rejeição devido às suas propostas, que incluem o endurecimento das leis de imigração e a revisão constitucional.
CRESCIMENTO DA DIREITA
As eleições legislativas para a Assembleia da República são fundamentais para compreender o atual cenário político em Portugal, onde a direita tem se consolidado. Desde 2019, o Chega aumentou sua representação de 1 para 60 deputados, enquanto o PS, que tinha 120 assentos, caiu para 58. O Bloco de Esquerda (BE) passou de 19 para 1 deputado, e o Partido Comunista Português (PCP) de 12 para 3. A única exceção foi o Livre, que aumentou de 1 para 6 deputados.
Jorge Pinto, do Livre, que também se candidatou à presidência, apontou dois fatores que explicam a crise da esquerda: a articulação internacional de movimentos de direita radical, que contam com financiamento e influência nas plataformas digitais, e o cansaço da população em relação às experiências governativas do PS, que não conseguiram resolver crises como a da habitação e do sistema público de saúde.
Catarina Martins, eurodeputada pelo BE e também candidata à presidência, destacou a necessidade da esquerda de ouvir as demandas da população. Ela recordou a “geringonça”, a coligação que governou Portugal de 2015 a 2019, que trouxe melhorias significativas, como aumentos salariais e melhor atendimento nos serviços públicos. No entanto, a saída do BE do governo em 2019 e a habilidade da direita em associar o partido a problemas posteriores afetaram a percepção pública.
Após vencer as eleições legislativas de 2019, o PS conseguiu manter António Costa como primeiro-ministro, mas enfrentou dificuldades devido à falta de apoio da “geringonça”. A situação culminou na dissolução do Parlamento em 2021, após a não aprovação do Or
