Estudantes brasileiras desenvolvem absorvente biodegradável de baixo custo e conquistam prêmio mundial
Inovação brasileira no combate à pobreza menstrual é reconhecida internacionalmente.
A educação brasileira continua a se destacar globalmente com inovações que visam resolver problemas sociais significativos. Recentemente, duas jovens brasileiras conquistaram um prêmio internacional de ciência ao desenvolver uma solução acessível e sustentável para a pobreza menstrual, um desafio que afeta milhões de mulheres.
As estudantes Laura Drebes e Camily Pereira, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), criaram um absorvente biodegradável feito com resíduos naturais, com um custo estimado em apenas R$0,02 por unidade. Essa inovação atraiu a atenção de especialistas internacionais e foi premiada no Stockholm Junior Water Prize, na Suécia, uma das competições científicas mais renomadas para jovens pesquisadores. O projeto oferece uma alternativa que é ao mesmo tempo ambientalmente sustentável e socialmente acessível.
A trajetória de Laura e Camily começou durante o ensino médio, onde tiveram a oportunidade de se envolver com pesquisa científica. Sob a orientação da professora Flávia Twardowski, elas exploraram materiais biodegradáveis, culminando no desenvolvimento de um absorvente feito a partir de resíduos naturais e industriais, como pseudocaule de bananeira, fibras de açaí jussara e sobras de tecidos de costureiras locais.
O reconhecimento internacional do projeto foi uma grata surpresa para as estudantes. Em 2022, elas venceram a etapa nacional do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. Na final mundial, realizada na Suécia, receberam o prêmio das mãos da rainha Vitória da Suécia, consolidando seu trabalho como uma das iniciativas mais promissoras na área de sustentabilidade e inovação social.
O absorvente sustentável desenvolvido por Laura e Camily não é apenas uma inovação tecnológica, mas também uma solução para um problema social crítico. Camily se inspirou a criar absorventes acessíveis ao lembrar das dificuldades que sua mãe enfrentou para obter produtos menstruais durante a juventude.
A pobreza menstrual, que afeta milhões de mulheres no Brasil e no mundo, refere-se à falta de acesso a produtos de higiene durante o período menstrual, impactando a saúde, a educação e a dignidade feminina. Além disso, a questão ambiental é alarmante, já que uma mulher pode usar cerca de 10 mil absorventes ao longo da vida, muitos dos quais contêm plástico e aditivos químicos que demoram de 100 a 500 anos para se decompor.
O absorvente desenvolvido pelas estudantes aborda esses dois desafios simultaneamente, tornando-se uma alternativa viável para populações vulneráveis e contribuindo para a redução do impacto ambiental. O projeto recebeu tanto prestígio que Laura e Camily foram reconhecidas pela Forbes na categoria de jovens com até 30 anos que se destacaram em suas áreas de atuação.
