Estudo de 10 anos revela que bitucas de cigarro nunca desaparecem completamente

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Estudo revela os perigos ambientais das bitucas de cigarro após uma década.

Pesquisadores monitoraram o destino de bitucas de cigarro ao longo de dez anos, revelando um alerta significativo para a saúde ambiental. O estudo, publicado na revista Environmental Pollution, demonstrou que, mesmo em condições ideais de decomposição, a maioria desse lixo não desaparece completamente. Em vez disso, o material se fragmenta em partículas microscópicas que continuam a liberar toxinas no solo.

O problema central está na composição do filtro do cigarro, que é feito de acetato de celulose, um polímero plástico quimicamente modificado para ser extremamente resistente. Essas fibras são compactadas de tal forma que se tornam quase imunes à degradação por microrganismos.

Os cientistas conduziram testes em ambientes reais, monitorando o destino de milhares de bitucas em diferentes cenários, desde áreas urbanas até solos férteis, ao longo de 120 meses. Os resultados indicam que a velocidade de degradação é influenciada pelo ambiente, mas o resultado final é quase sempre a persistência do material.

  • Ambientes urbanos: em superfícies cimentadas, a degradação foi rápida, com cerca de 48% do material original permanecendo após 10 anos, praticamente intacto.
  • Solos férteis: em áreas ricas em nutrientes, a perda de massa foi maior, alcançando 84%. No entanto, isso não significa que as bitucas desapareceram, pois passaram por uma transformação estrutural.

Utilizando microscopia eletrônica, o estudo revelou que, sob condições favoráveis, as fibras do filtro perdem sua forma original e se integram à matriz do solo, tornando-se agregados microscópicos. Essa transformação resulta na formação de microplásticos secundários, que são extremamente difíceis de serem removidos e podem ser facilmente transportados pela água ou ingeridos por pequenos animais, entrando assim na cadeia alimentar.

Além disso, a pesquisa desafiou a noção de que, com o tempo, as bitucas se tornam inofensivas. Embora a liberação de substâncias tóxicas, como nicotina e metais pesados, seja mais intensa logo após o descarte, a degradação das fibras continua a liberar substâncias químicas nocivas que estavam contidas no filtro.

Após uma década, os resíduos ainda apresentaram efeitos biológicos mensuráveis em organismos de teste, evidenciando que, mesmo quando se tornam “invisíveis” no solo, as bitucas de cigarro continuam a atuar como poluentes ativos, e não apenas como sujeira inerte.

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