EUA enfrentam resistência crescente de estados na construção de data centers para inteligência artificial
Nova York se junta à resistência crescente contra a construção de data centers para IA.
Os Estados Unidos estão enfrentando uma crescente oposição à construção de novos data centers, essenciais para alimentar a inteligência artificial. Nova York se tornou o mais recente estado a considerar uma moratória sobre esses empreendimentos, com um projeto de lei proposto por dois legisladores democratas que suspenderia a construção de novas instalações por três anos. Isso marca a sexta jurisdição a adotar medidas semelhantes em um curto espaço de tempo.
A rejeição a esses centros de dados está se espalhando rapidamente por todo o país. Em dezembro, um importante político nacional se manifestou a favor de uma moratória geral, enfatizando a necessidade de garantir que os benefícios da tecnologia sejam acessíveis a todos, e não apenas a uma pequena elite. Desde então, legisladores de estados como Flórida e Vermont têm pressionado por pausas temporárias nas construções.
Mais de 200 organizações ambientais expressaram preocupação, considerando a expansão dos data centers como uma das maiores ameaças ambientais e sociais da atualidade. Essa pressão tem sido um fator importante na formulação de políticas em diferentes estados.
Em detalhes
A proposta em Nova York, apresentada pela senadora Liz Krueger e pela deputada Anna Kelles, busca uma moratória mínima de três anos na emissão de alvarás de construção. Durante esse período, o Departamento de Conservação Ambiental e a Comissão de Serviços Públicos irão avaliar o impacto dessas infraestruturas e sugerir novas regulamentações.
Atualmente, Nova York abriga mais de 130 data centers, e a demanda por eletricidade relacionada a novos projetos chegou a 10 gigawatts, o que representa um aumento significativo em comparação ao ano anterior. Entre os projetos em andamento, destaca-se um centro de 450 megawatts que está sendo construído sobre uma antiga usina termelétrica a carvão.
Onde mais está acontecendo
Estados como Geórgia, Maryland, Oklahoma, Vermont e Virgínia também estão considerando legislações para suspender temporariamente o desenvolvimento de data centers. Enquanto algumas iniciativas são lideradas por democratas, outras têm apoio republicano. Até o final de dezembro, mais de 14 estados já tinham cidades ou condados que suspenderam a emissão de alvarás de construção, com a Virgínia emergindo como um centro de atividade legislativa nesse contexto.
O custo oculto
Os data centers são conhecidos por seu alto consumo de energia e água, gerando preocupações nas comunidades locais sobre o aumento das contas de luz. A governadora de Nova York lançou recentemente uma iniciativa para garantir que esses centros “paguem sua justa parcela” pelos recursos que consomem. Críticas também surgiram de líderes políticos, que questionam o impacto social e econômico desses empreendimentos.
Resistência popular
A oposição à construção de data centers não vem apenas de legisladores, mas também da população local, que tem paralisado projetos multimilionários. Entre março e junho de 2025, empreendimentos avaliados em bilhões de dólares foram adiados ou cancelados. Em Monterey Park, Califórnia, uma campanha local resultou em uma moratória temporária e na promessa de um estudo sobre uma proibição permanente.
Nas entrelinhas
A situação atual nos Estados Unidos em relação aos data centers reflete um dilema mais amplo sobre a infraestrutura necessária para suportar a evolução da inteligência artificial. Embora as empresas prometam criação de empregos e investimentos fiscais, a realidade é que, uma vez em operação, esses centros demandam pouco pessoal e intensificam o consumo de energia, além de gerarem poluição sonora e emissões.
Pesquisas indicam que a maioria dos eleitores apoia a proibição da construção de data centers em áreas residenciais, associando-os ao aumento dos preços da eletricidade.
E agora?
O setor começou a responder a essa crescente resistência. Recentemente, uma das principais empresas de tecnologia apresentou compromissos para ser uma “boa vizinha” nas comunidades onde opera. A indústria reconhece a importância de educar e informar o público sobre suas atividades.
A tensão entre as necessidades das grandes empresas de tecnologia e a opinião pública está em um ponto crítico, e não parece que essa disparidade será resolvida em breve.
