EUA implementam plano B para desarmar Coreia do Sul antes que Irã destrua radar final
A guerra no Irã impacta a segurança global e a defesa na Ásia.
Infraestruturas militares sofisticadas são raras e essenciais para a segurança global. Algumas delas, projetadas para detectar mísseis a grandes distâncias, estão localizadas em países aliados e são vitais para a defesa de regiões inteiras. Quando uma quantidade significativa dessas instalações é comprometida, a segurança de várias nações pode ser drasticamente afetada.
A atual guerra contra o Irã está gerando um efeito dominó que se estende além do Oriente Médio, afetando diretamente a capacidade defensiva dos Estados Unidos. Após ataques iranianos a instalações críticas, Washington se viu em uma situação delicada, com vários de seus sistemas de alerta precoce e rastreamento danificados ou destruídos. Isso comprometeu a vigilância e a capacidade de resposta a novas ameaças.
Dos oito radares mais avançados em operação, quatro foram desativados, tornando os Estados Unidos vulneráveis a possíveis novos ataques. A prioridade agora é proteger as bases americanas no Golfo e no Levante, levando à decisão de retirar sistemas de defesa antimísseis da Ásia para reforçar a proteção no Oriente Médio. Essa estratégia revela a magnitude do impacto da guerra no equilíbrio de forças globais.
O Pentágono optou por redirecionar recursos da Península Coreana, onde o sistema THAAD foi considerado essencial para interceptar mísseis norte-coreanos. A retirada desses sistemas provocou protestos na Coreia do Sul e gerou tensões com a China e a Rússia, que se preocupam com o radar potente associado ao THAAD.
Agora, quase uma década após sua implantação, partes desse sistema estão sendo deslocadas para o Oriente Médio. Além do THAAD, planos estão em andamento para transferir baterias Patriot e outros recursos defensivos para proteger bases na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos contra possíveis ataques iranianos. Para a Coreia do Sul, essa situação é alarmante, pois defesas essenciais estão sendo enviadas para um conflito distante.
A retirada dos sistemas de defesa gerou inquietação na Coreia do Sul e no Japão, que dependem fortemente da proteção americana contra a Coreia do Norte. Embora o governo sul-coreano afirme que sua capacidade de dissuasão permanece intacta, analistas temem que Pyongyang veja essa movimentação como uma oportunidade para testar a aliança com os Estados Unidos.
O Japão também observa com preocupação, especialmente com a movimentação de contratorpedeiros americanos para o Mar Arábico, enquanto o debate sobre a possibilidade de envolvimento das bases americanas em conflitos fora da Ásia se intensifica. A dúvida que paira sobre Tóquio e Seul é até que ponto a guerra no Irã está esgotando os recursos militares destinados a conter a Coreia do Norte e a China.
Recentemente, a Coreia do Norte reafirmou sua crença de que as armas nucleares são a única forma de proteção contra os Estados Unidos. A propaganda norte-coreana frequentemente menciona os destinos de líderes que abandonaram ou não desenvolveram armas nucleares como um aviso claro sobre os riscos de tal decisão.
Para Kim Jong Un, a conclusão é óbvia: renunciar ao desenvolvimento nuclear abriria espaço para ações de mudança de regime. Enquanto os Estados Unidos se concentram no Oriente Médio, Pyongyang acelera seu programa nuclear e avança no desenvolvimento de mísseis capazes de atingir o território continental americano, alterando assim a dinâmica de risco para qualquer potencial intervenção militar.
Além disso, a Coreia do Norte está modernizando sua marinha com a construção do contratorpedeiro Choe Hyon, um navio de 5.000 toneladas que representa um avanço significativo. Durante os testes, o navio demonstrou a capacidade de lançar mísseis de cruzeiro e possui um sistema de lançamento vertical ampliado, com planos para construir mais unidades dessa classe nos próximos anos.
A guerra no Irã também reabriu um debate estratégico em Pyongyang, onde Kim e seus assessores analisam as operações dos EUA, desde a detecção de líderes inimigos até a rapidez na transição de diplomacia para ação militar. A lembrança da cúpula de Hanói em 2019 ainda pesa nas decisões atuais, especialmente após a Coreia do Norte ter fortalecido sua aliança com a Rússia, enviando apoio militar em troca de recursos.
O resultado dessa situação é um paradoxo estratégico, onde um conflito no Oriente Médio está remodelando o equilíbrio militar no Leste Asiático.
