Ex-governador do DF falta à CPMI do Crime Organizado
Ibaneis Rocha não comparece a depoimento da CPMI e gera nova convocação.
O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não compareceu ao seu depoimento agendado para esta terça-feira (7) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado. Esta foi a terceira vez que ele não compareceu a uma reunião do colegiado.
Em resposta à ausência, a CPMI decidiu aprovar sua convocação. Ibaneis havia sido convocado no dia 31 de outubro, mas recebeu autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para não comparecer. Essa decisão foi divulgada na última quinta-feira (2).
O ex-governador deveria ter esclarecido as negociações do Banco de Brasília (BRB) para a aquisição do Banco Master. Este negócio foi barrado pelo Banco Central, que posteriormente liquidou o Banco Master e encaminhou investigações sobre possíveis fraudes financeiras à Polícia Federal.
Durante a abertura dos trabalhos, o presidente da CPMI, senador Fabiano Contarato, expressou sua insatisfação com a postura do STF em relação às atividades da comissão. Ele enfatizou que todos devem ser tratados de forma igual perante a lei.
Contarato afirmou: “Todos somos iguais perante a lei, independentemente de raça, cor, etnia, religião, origem, orientação sexual. Só que, no Brasil, uns são mais iguais que outros.”
Ele criticou a aplicação da lei em casos que envolvem pessoas menos favorecidas, destacando que, quando se trata de crimes de colarinho branco, a situação é diferente. “Quando é para agir de forma contundente contra pobre e preto, vale tudo. As leis funcionam, mas quando se trata de crimes envolvendo agentes políticos, temos decisões que dificultam a apuração.”
O senador também mencionou que, embora respeite as decisões judiciais, a advocacia do Senado está recorrendo de várias determinações que, segundo ele, têm dificultado o trabalho da CPMI. “Essa é a palavra que a população precisa saber”, declarou.
Ele ressaltou que a CPMI está empenhada em realizar investigações com isenção e responsabilidade, afirmando que “ninguém está acima da lei” e criticando as decisões judiciais que considera “não razoáveis”.
Contarato questionou a eficácia das convocações e oitiva de testemunhas, afirmando que a falta de obrigatoriedade de comparecimento por parte das testemunhas parece indicar uma resistência à apuração dos fatos. “Quem nada deve, nada teme”, concluiu.