Excesso de chuva provoca atraso na colheita enquanto comercialização de soja avança com cautela

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Excesso de chuvas e estiagem geram incertezas no mercado de soja.

O mercado de soja teve uma semana complicada devido ao excesso de chuvas no Centro-Oeste, que atrasou a colheita e diminuiu a oferta imediata de grãos. Com a oferta reduzida, os produtores adotaram uma postura cautelosa na comercialização, esperando por melhores definições de preços e condições logísticas.

No Sul do Brasil, a estiagem começou a preocupar os agricultores em relação ao desenvolvimento das lavouras, adicionando mais incerteza ao cenário produtivo. Essa discrepância climática entre as regiões aumentou a atenção no campo, especialmente em um período crítico para a consolidação da safra.

Cenário internacional

No âmbito internacional, a China retomou suas compras após o Ano Novo Lunar, revitalizando as negociações. O Brasil se destacou com um ritmo forte de embarques, mantendo a liderança nas exportações para o principal comprador global, o que ajudou a sustentar as cotações externas.

No mercado de Chicago, o contrato março de 2026 fechou a US$ 11,57 por bushel, com uma alta acumulada de 1,67%. No entanto, essa movimentação foi parcialmente neutralizada pela queda do dólar, que encerrou em R$ 5,13, recuando 1,16% no período. Apesar da pressão cambial, o mercado físico apresentou altas em diversas regiões.

O que esperar do mercado de soja

A expectativa é que o Brasil consolide uma safra recorde de 178 milhões de toneladas, conforme estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento. O clima será um fator determinante, especialmente no Rio Grande do Sul e na Argentina. A severa estiagem e o calor intenso no Cone Sul podem comprometer o potencial produtivo das áreas com maturação mais tardia, mantendo o mercado em alerta.

Adicionalmente, a cúpula entre China e Estados Unidos, prevista para abril, é um ponto de atenção. O mercado aguarda possíveis compras adicionais da China como sinal positivo nas negociações comerciais. Qualquer mudança nas tarifas por parte do governo norte-americano pode gerar forte volatilidade nos contratos futuros na Chicago Board of Trade.

Para os produtores, o momento pede uma postura defensiva. Com a paridade de exportação pressionada por um dólar mais baixo, o mercado físico deverá ser seletivo, com negócios concentrados em demandas específicas de caixa ou ajustes logísticos. O anúncio do PIB do quarto trimestre de 2025 também é um fator a ser monitorado, pois pode impactar as expectativas de juros e, consequentemente, influenciar o comportamento do câmbio e a formação de preços.

Embora a fraqueza do dólar limite movimentos de alta mais expressivos, o contexto atual também reduz o espaço para quedas acentuadas, o que pode resultar em uma semana de maior estabilidade e preços lateralizados.

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