Experimento no Rio Grande do Sul avalia conhecimento da população sobre sinal de socorro para mulheres vítimas de violência
Experimento revela dificuldade da população em reconhecer sinal de socorro para vítimas de violência.
Um experimento realizado nas ruas de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, demonstrou que a maioria da população ainda não reconhece o sinal universal de socorro, um gesto silencioso que permite que mulheres em situação de violência peçam ajuda. A ação foi promovida pela prefeitura com o objetivo de conscientizar os moradores sobre a importância desse sinal.
O gesto consiste em levantar a mão com a palma voltada para fora, dobrar o polegar e, em seguida, fechar os outros dedos sobre ele. Essa sinalização é uma forma discreta de pedir assistência em situações de perigo.
Dois atores encenaram a situação nas ruas, simulando um casal. Durante o experimento, a mulher fez o gesto de socorro em várias ocasiões, mas apenas duas mulheres pararam para oferecer ajuda, mesmo após uma hora abordando cerca de vinte pessoas.
“O objetivo, na verdade, é conscientizar, educar, informar a população que há várias formas de se pedir auxílio. Uma das formas é um sinal silencioso, mas será que as pessoas conhecem esse sinal? Elas sabem o que fazer?”, explicou a prefeita em exercício de Guaíba.
O sinal de socorro foi criado durante a pandemia por uma fundação canadense de apoio às mulheres, visando permitir que as vítimas solicitem ajuda sem que seus agressores percebam.
Magali Ferreira, terapeuta que interpretou a vítima durante o experimento, relatou que a maioria das pessoas não conhecia o gesto. Ela se emocionou com a atitude das duas mulheres que a abordaram, convidando-a para tomar um café como forma de ajudá-la a sair da situação de perigo.
“Foi muito emocionante, eu não pensei que eu ia me emocionar tanto. Naquele momento ali teve um acolhimento”, disse Magali. “Elas foram ali e me convidaram para tomar um café, que era uma maneira de, de repente, me tirar dali.”
Após um período sem registros de feminicídios, a prefeita em exercício destacou a importância de estar alerta, especialmente em momentos de maior incidência de violência, como feriados e finais de semana.
“Esses casos de violência sempre acontecem em maior número nos feriados, nos finais de semana, em dia de jogo de futebol. Então a gente precisa cada vez estar mais alerta.”
Especialistas afirmam que, embora o sinal seja uma ferramenta importante, ele não substitui a necessidade de políticas públicas de proteção às mulheres.
“Para enfrentar a violência contra as mulheres, você tem que ter vontade política. Os nossos governantes precisam entender que é importante, sim, investir no enfrentamento à violência contra as mulheres”, destacou uma coordenadora de um coletivo feminino.
Ela também orientou sobre como agir ao presenciar um pedido de ajuda: “Você pode tentar se aproximar, dizer que conhece: ‘Oi, tudo bem? Quanto tempo a gente não se vê?’. Tentar levar essa mulher para algum lugar, por exemplo, para um comércio, para uma farmácia”.
A recomendação é conversar com a vítima para encaminhá-la aos órgãos competentes, como a delegacia ou a Brigada Militar. Se não for possível uma aproximação direta, a orientação é procurar uma autoridade policial e relatar o que aconteceu. A omissão em casos de violência pode colocar vidas em risco.
“Hoje em dia não é mais aquela de ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’, tem que meter sim! Se eu vejo, eu chamo a polícia”, defendeu uma divulgadora.
