Exportações de suco de laranja do Brasil para a União Europeia crescem no final da safra em janeiro, segundo a USP
Preço da laranja sofre queda e chuvas intensas impactam a produção em São Paulo.
Os preços da laranja pagos pela indústria apresentaram uma queda significativa em novembro, refletindo as condições do mercado e a produção atual.
As exportações brasileiras de suco de laranja mostraram sinais de recuperação em janeiro deste ano, após um período de embarques abaixo do esperado. A safra, que teve início em julho de 2025 e se estendeu até janeiro de 2026, trouxe um aumento considerável na demanda, especialmente da União Europeia, que é o principal destino do produto brasileiro.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) indicam que, em janeiro, os envios de suco de laranja concentrado para a Europa totalizaram 50,3 mil toneladas, um aumento de 55% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Este volume representa o maior registrado na atual temporada.
A expectativa de recuperação nas exportações para a União Europeia era aguardada com otimismo pelo setor exportador, que viu os embarques totais de suco de laranja concentrado acumularem 495 mil toneladas na safra 2025/26, uma redução de 4,6% em comparação ao mesmo período da temporada anterior.
Mercado interno
No mercado interno, as indústrias estão se aproximando do final da moagem da safra, resultando em uma menor aquisição de frutas no spot. Apenas alguns contratos finais estão sendo cumpridos, conforme apontam as análises do Cepea.
Chuvas de janeiro podem impactar a indústria
As chuvas intensas registradas em janeiro podem afetar a produção destinada à indústria, resultando em perdas e na queda da qualidade das frutas cítricas. Isso pode impactar as cotações no mercado spot paulista, que já se encontra em um cenário de oferta elevada.
O excesso de umidade tem aumentado a incidência de doenças como podridões e fungos nos pomares. Parte da produção destinada à indústria pode ser perdida, enquanto outra parcela chega ao mercado com qualidade inferior, pressionando ainda mais os preços.
Os preços com pagamento a prazo já começaram a apresentar uma leve queda de quase 2% na segunda quinzena de janeiro. A caixa de 40 quilos da laranja-pera in natura, que estava em R$ 43 no dia 12 de janeiro, caiu para R$ 41 no final do mês.
No dia 29 de janeiro de 2026, Limeira registrou 55 milímetros de chuva em apenas duas horas, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
O impacto das chuvas intensas nas regiões produtivas, como Limeira, deverá ser sentido especialmente na laranja de mesa, que é selecionada para consumo direto. O recebimento de frutas no mercado spot permanece contido, com as indústrias focadas em cumprir os últimos contratos e processar a fruta própria.
Em Piracicaba, o volume de chuvas foi de 65 milímetros em duas horas no último dia 29 de janeiro, contribuindo para um cenário desafiador para a citricultura na região.
Greening: um desafio para a citricultura
Um novo convênio, resultado de uma parceria entre universidades e instituições de pesquisa de vários países, prevê um investimento de R$ 90 milhões em cinco anos para combater a praga do greening, que afeta gravemente a citricultura brasileira. A doença, causada por uma bactéria transmitida pelo inseto psilídeo, tem causado prejuízos significativos desde sua chegada ao Brasil em 2004.
A região de Limeira é a mais afetada pelo greening, com a incidência da doença aumentando de 73,87% em 2023 para 79,38% em 2024, o que tem gerado um impacto direto nos preços da fruta e do suco no mercado.
As altas temperaturas e os danos nos pomares, resultantes do greening, têm gerado um cenário de incertezas para os citricultores e indústrias, exigindo esforços contínuos para mitigar os efeitos dessa praga devastadora.
