Fábricas de chips adotam robôs humanoides para enfrentar a nova corrida global dos semicondutores
STMicroelectronics inova com robôs humanoides para modernizar fábricas na Europa.
A indústria europeia de semicondutores enfrenta desafios significativos para se manter competitiva em um mercado global cada vez mais automatizado. A STMicroelectronics, uma das líderes do setor, está adotando uma estratégia inovadora para modernizar suas instalações mais antigas, introduzindo robôs humanoides nas linhas de produção e implementando um programa abrangente de requalificação de seus trabalhadores.
Durante uma conferência do setor em Sopot, na Polônia, executivos da empresa apresentaram um robô capaz de manipular equipamentos essenciais na produção de chips, como suportes que transportam wafers de silício. A iniciativa visa não apenas modernizar a operação, mas também garantir que os trabalhadores sejam realocados para funções mais especializadas, onde há uma escassez de profissionais qualificados.
Os primeiros testes com os robôs já foram iniciados, e a STMicroelectronics pretende expandir rapidamente essa tecnologia. A expectativa é que, em um futuro próximo, mais de cem robôs humanoides estejam em operação nas fábricas da empresa, realizando tarefas repetitivas e fisicamente exigentes.
Máquinas para tarefas repetitivas
Esses robôs têm como objetivo principal assumir funções que atualmente são realizadas por humanos, permitindo que os trabalhadores se concentrem em atividades que exigem maior qualificação. Isso é especialmente relevante em um setor que enfrenta uma crescente demanda por profissionais capacitados.
Além disso, a introdução de humanoides pode reduzir a necessidade de turnos múltiplos nas fábricas. Em sistemas que operam em três ou quatro turnos, um único robô pode realizar uma parte significativa das tarefas diárias, aumentando a eficiência operacional.
Esse movimento ocorre em um contexto desafiador para a indústria europeia de chips, que enfrenta forte concorrência de fabricantes asiáticos, especialmente na China e na Coreia do Sul, onde novas fábricas altamente automatizadas estão elevando a produtividade e diminuindo custos.
As fábricas mais antigas na Europa, conhecidas como “fabs”, frequentemente necessitam de investimentos substanciais para se manterem competitivas, mas muitas vezes não podem ser modernizadas com as tecnologias mais recentes. Em alguns casos, a alternativa seria a demolição e reconstrução das instalações, um processo que enfrenta obstáculos significativos, como altos custos e regulamentações ambientais rigorosas.
Política industrial europeia
A política industrial europeia também limita a modernização dessas fábricas. Os incentivos do Chips Act europeu focam em projetos inovadores, deixando muitas instalações existentes sem acesso a subsídios. Isso tem gerado preocupações entre associações do setor, que defendem que a próxima fase da política industrial inclua investimentos na modernização das fábricas já existentes.
Para a STMicroelectronics, a automação com robôs humanoides representa uma solução viável entre o fechamento de fábricas antigas e a reconstrução total das unidades. A empresa acredita que essa estratégia pode não apenas aumentar a produtividade, mas também prolongar a vida útil das instalações.
Desde 2024, a companhia já vinha implementando um plano de reestruturação que incluiu a saída de cerca de 5 mil funcionários. Embora tenha avançado em algumas operações na França, a empresa encontrou dificuldades nas negociações com trabalhadores na Itália. Diante disso, o programa de requalificação profissional tornou-se essencial, com a empresa treinando seus funcionários para novas funções relacionadas à automação e à operação de sistemas mais avançados.
A expectativa é que, ao combinar automação com a capacitação da força de trabalho, a STMicroelectronics consiga manter suas operações na Europa sem precisar fechar unidades, contribuindo para a sustentabilidade da indústria local.