Famato registra fila de 25 km de caminhões em Miritituba
Comitiva da Famato avalia condições logísticas em Miritituba
Uma comitiva formada por presidentes de 20 sindicatos rurais visitou Miritituba, no Pará, para avaliar as condições logísticas do escoamento da safra de Mato Grosso pelo Arco Norte.
O trajeto percorrido pelos representantes do setor, que se estendeu por pouco mais de 30 km, revelou uma fila de mais de 25 km de caminhões carregados com soja do estado.
Caminhoneiros relataram longas esperas para triagem e descarregamento, além da falta de suporte básico ao longo da fila. A situação foi ressaltada pelo presidente da Famato, Vilmondes Tomain, que enfatizou a urgência de melhorias na capacidade portuária e na gestão do fluxo, com o apoio do governo.
“É fundamental que nossos representantes, incluindo os governos de Mato Grosso e do Pará, unam forças. O Ministério da Agricultura e o Ministério dos Transportes precisam visitar a região para entender a demanda e buscar soluções”, destacou Tomain.
‘Falta de banheiro e impactos emocionais’
Durante a espera, o caminhoneiro Luigi Brischiliari expressou a falta de infraestrutura mínima, como banheiros e pontos de atendimento, além dos impactos emocionais causados pela longa espera. “Estamos jogados, sem banheiro, passando dificuldades. Muitos pais de família não merecem esse descaso”, afirmou.
Ele também mencionou o abalo psicológico como uma preocupação crescente. “Há colegas que passam horas na fila e acabam se envolvendo em situações complicadas na estrada”, completou.
Outro caminhoneiro, Rodrigo Caicara, destacou as falhas na triagem e na organização do fluxo, que intensificam o acúmulo de caminhões ao longo do trajeto até o porto. “O que observamos é uma falta de organização. Algumas empresas não conseguem atender a demanda, resultando em congestionamentos que nos mantém aqui por dias”, relatou.
Ampliação do porto
Com base nas observações feitas durante a visita, a Famato defende a ampliação da capacidade portuária e de triagem, sugerindo a expansão de pátios, melhorias operacionais e um reforço nas equipes durante períodos de pico.
Segundo o presidente da entidade, é essencial viabilizar novos armazéns para proporcionar um planejamento de médio e longo prazo que alivie a demanda sazonal da safra.
“A questão do armazenamento em Mato Grosso é crucial para otimizar o escoamento. O planejamento deve começar desde a colheita, passando por armazéns, rodovias e portos. Se o produtor consegue armazenar, isso melhora o fluxo das entregas”, afirmou Vilmondes.
