Fechamento do Estreito de Ormuz pode aumentar preço do diesel e afetar produtores

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Fechamento do Estreito de Ormuz pode elevar custos no agronegócio brasileiro.

As guardas revolucionárias do Irã fecharam o Estreito de Ormuz, uma importante rota que transporta aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente. Essa ação é uma retaliação aos ataques que o país sofreu, o que levanta grandes preocupações no mercado internacional.

Os preços do petróleo dispararam, atingindo US$ 82 por barril, o maior valor desde janeiro de 2025. Além disso, os fertilizantes também enfrentaram uma alta significativa, com a ureia, por exemplo, subindo 13% e sendo cotada a US$ 550 a tonelada, com perspectivas de novos aumentos.

A instabilidade gerada pela guerra na região impacta diretamente a oferta de adubos, uma vez que o Catar, a Arábia Saudita e o Irã estão entre os dez maiores exportadores de fertilizantes do mundo. Essa situação pode provocar uma escassez de insumos essenciais para a agricultura.

Leandro Barcelos, diretor de Política Comercial da Seven Consultoria, aponta que a situação traz consequências diretas para o agronegócio brasileiro, especialmente em relação ao aumento dos custos de produção vinculados ao diesel e ao encarecimento do frete.

“O Brasil é altamente dependente de diesel para a logística do agro, o que impacta os custos operacionais. Todos os produtores utilizam diesel em suas máquinas e na produção diária. Essa dependência resulta em um efeito cascata, pois todos os insumos relacionados ao petróleo e à logística terão seus preços elevados, refletindo também em plásticos, embalagens, lubrificantes e no produto final”, explica Barcelos.

Rodrigo Provazzi, economista e gestor de riscos, destaca que qualquer interrupção na navegação do Estreito de Ormuz tende a aumentar os custos logísticos e a imprevisibilidade, o que gera uma percepção de risco elevada entre os operadores. Ele acrescenta que a valorização do dólar pode impactar ainda mais os custos para os produtores rurais. Além disso, as exportações de produtos do agronegócio brasileiro para países envolvidos no conflito também são afetadas.

O Oriente Médio é um grande comprador de carne bovina, aves, ovos e grãos brasileiros, especialmente farelo de milho. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já está considerando novas rotas de transporte. Ricardo Santin, presidente da ABPA, menciona que a impossibilidade de utilização da rota tradicional dificulta a entrega de carnes ao Catar e ao Kuwait e complica a logística para os Emirados Árabes Unidos.

“Estamos avaliando alternativas, como rotas pelo Omã ou descendo pelo Mar Vermelho e Mediterrâneo, onde o Canal de Suez oferece opções para alcançar portos próximos e, a partir daí, realizar transporte terrestre”, conclui Santin.

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