França impõe restrições às importações agrícolas em reação a protestos contra acordo UE-Mercosul
Acordo entre Mercosul e UE gera preocupações no setor agrícola europeu
A recente decisão da França de suspender temporariamente a importação de produtos agrícolas de países sul-americanos, devido ao uso de agrotóxicos proibidos na União Europeia, acende um alerta no contexto do acordo entre Mercosul e UE.
A suspensão, que será implementada a partir de quinta-feira (8) e terá duração de um ano, é uma resposta às preocupações dos agricultores europeus sobre a concorrência que os produtos agrícolas do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai podem representar. Os ministros da Agricultura da UE se reunirão em Bruxelas para discutir essas questões, enquanto os agricultores franceses realizam protestos, bloqueando estradas com tratores.
O decreto francês proíbe a entrada de frutas como abacates, mangas e cítricos, além de vegetais e cereais que contenham cinco substâncias químicas específicas. Embora esses produtos sejam liberados no Brasil, o governo francês justificou que a medida não é direcionada apenas à América do Sul, mas se aplica a qualquer país que utilize tais substâncias em sua produção.
O governo francês não respondeu se o Brasil utiliza os agrotóxicos mencionados na produção das frutas afetadas. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados também foi questionada, mas ainda não se manifestou.
Bruxelas terá dez dias para analisar a suspensão, podendo optar por mantê-la, estendê-la a toda a UE ou rejeitá-la. O governo de Emmanuel Macron enfrenta pressão significativa do setor agrícola, que recentemente expressou suas preocupações em manifestações públicas.
Além das questões agrícolas, há um cenário político complexo. A aprovação do acordo pelo governo francês pode resultar em críticas internas, uma vez que a oposição ao tratado é ampla entre os partidos políticos do país. Contudo, a assinatura do acordo pode ocorrer em 12 de janeiro, caso receba a aprovação da maioria no Conselho Europeu.
Em uma tentativa de apaziguar os ânimos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um financiamento adicional de cerca de 45 bilhões de euros para os agricultores europeus, como parte da futura Política Agrícola Comum. Os agricultores temem que a entrada de produtos sul-americanos, considerados mais competitivos, possa prejudicar a produção local, especialmente no que diz respeito à carne, arroz, mel e soja.
