Funcionamento dos quatro núcleos de atuação criminosa liderados por Vorcaro, revela a PF

Compartilhe essa Informação

Operação Compliance Zero revela estrutura criminosa no Banco Master

A Polícia Federal desvendou um esquema criminoso no Banco Master que operava através de quatro núcleos distintos, conforme as investigações que resultaram na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Entre os núcleos identificados, o “núcleo financeiro” foi responsável pela criação de fraudes contra o sistema financeiro. Outro núcleo, denominado “núcleo de corrupção institucional”, tinha como objetivo a cooptação de servidores públicos do Banco Central.

Os outros dois núcleos eram voltados para a “ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro”, utilizando empresas interpostas, e para a “intimidação e obstrução de Justiça”, que monitorava adversários, jornalistas e autoridades de forma ilegal.

As evidências coletadas, incluindo documentos e registros de mensagens, demonstram que os envolvidos atuavam de maneira organizada, com uma clara divisão de tarefas, característica típica de organizações criminosas.

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi apontado como o responsável por gerenciar todos os núcleos, mantendo comunicação frequente com funcionários do Banco Central e coordenando operações fraudulentas.

A defesa de Vorcaro afirmou que ele sempre colaborou com as autoridades e negou as alegações feitas contra ele, expressando confiança na regularidade de sua conduta e no devido processo legal.

Os núcleos de atuação financeira e de lavagem de dinheiro são os mais evidentes, mas a decisão também destaca a colaboração com funcionários do Banco Central, que foi além do que se considera normal entre uma instituição financeira e seus reguladores.

Foram identificadas comunicações onde servidores do Banco Central pediam orientações a Vorcaro sobre como conduzir reuniões e elaborar documentos, indicando uma relação de consultoria inadequada entre eles.

Um exemplo notável foi a troca de mensagens entre Vorcaro e um servidor do BC, que compartilhou sua nomeação para um cargo de supervisão e recebeu congratulações do banqueiro, o que sugere um vínculo próximo e comprometido.

Os ex-dirigentes do Banco Central ainda não se pronunciaram sobre as acusações. O BC também não divulgou novos posicionamentos sobre a situação.

No que diz respeito ao núcleo de intimidação e obstrução à Justiça, Vorcaro teria dado ordens para intimidar concorrentes, ex-empregados e jornalistas, além de ter acesso a informações sobre investigações em andamento, o que levanta sérias preocupações sobre a legalidade de suas ações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *