Geração Z redefine o carnaval com novas tendências que vão além da bebedeira e dos blocos lotados
Mudanças no perfil dos foliões revelam novas dinâmicas no Carnaval brasileiro.
O carnaval brasileiro, tradicionalmente conhecido pela grande presença de jovens nas ruas, está passando por uma transformação significativa. Uma pesquisa recente indica que 84,8% da Geração Z não se identifica com a festividade, um número que quase dobra em relação a outras gerações.
Embora as cidades, como o Rio de Janeiro, continuem a registrar recordes de público, o perfil dos participantes está mudando. A festa, que sempre foi um espaço de celebração juvenil, agora parece estar atraindo mais adultos, levantando a questão sobre a nova dinâmica do evento: o carnaval está se afastando dos jovens?
O perfil dos jovens mudou: menos álcool, menos multidão e mais controle
A análise do carnaval de 2026 mostra que a maioria dos foliões não é mais composta por jovens. Apenas 11% ainda associam o feriado à folia tradicional, enquanto 48% optam por usar o período para descanso. Essa mudança é atribuída a uma aversão crescente às multidões, ao desconforto com música alta e a limitações financeiras.
Além disso, a Geração Z foi moldada por fatores como a socialização mediada por telas e a experiência da pandemia. Estudos revelam que o consumo de álcool entre os jovens pode ser até 20% menor do que entre os millennials, evidenciando uma mudança de comportamento em relação ao consumo excessivo e à vivência em grandes aglomerações.
Essas transformações podem ser atribuídas ao fato de que muitos jovens, que cresceram com celulares em mãos, veem a multidão como um espaço de exposição e ansiedade. A pandemia acentuou essa percepção, resultando em um desconforto em grandes eventos como o carnaval, que são caracteristicamente aglomerados.
O carnaval envelheceu ou o Brasil mudou?
Com a diminuição da presença jovem, um novo grupo de foliões se destaca: os adultos acima de 30 anos. É cada vez mais comum observar grupos de adultos que planejam suas atividades carnavalescas com antecedência, escolhendo eventos específicos e organizando encontros. Essa mudança reflete um comportamento mais estruturado em relação à festividade.
Essa transformação vai além de uma simples troca de público. O carnaval, que antes era marcado pela espontaneidade e excessos, agora se caracteriza por experiências planejadas e consumo consciente. Embora essa mudança possa ser vista como um reflexo do envelhecimento da população, também indica uma nova cultura de lazer, que valoriza a organização e a participação consciente nas festividades.
