Gilmar afirma que vazamento de mensagens de Vorcaro infringe direito à intimidade
Ministro do STF critica vazamento de conversas íntimas de empresário e sua ex-namorada.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), qualificou a divulgação de diálogos entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e sua ex-namorada, Martha Graeff, como uma grave violação do direito à intimidade. Mendes destacou que essa situação representa uma “barbárie institucional” que ultrapassa os limites legais e constitucionais.
A declaração foi feita em uma publicação nas redes sociais na segunda-feira, 9 de março de 2026. O ministro expressou que a divulgação das conversas é ainda mais preocupante por ocorrer na semana do Dia Internacional da Mulher, ressaltando que tal ato desrespeita a legislação que exige a proteção de informações não relevantes para investigações penais.
A Polícia Federal (PF) enviou à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS um arquivo com 1,08 GB de dados obtidos de celulares de Vorcaro. Deste total, 221 arquivos foram vazados, totalizando 329,3 MB, incluindo imagens, e-mails, contatos e documentos. A análise desses arquivos revela que o conteúdo extraído vai além de mensagens simples, abrangendo registros de agenda e informações que ajudam a mapear as relações do banqueiro.
Um dos documentos centrais é um texto com 1.687 páginas de mensagens trocadas entre Vorcaro e Graeff. A modelo está considerando recorrer à Justiça devido à divulgação das mensagens, que ela classificou como uma “grave violência” e “manifestamente ilegal”. Em nota, Graeff afirmou que não mantém um relacionamento com Vorcaro há meses e que nunca esteve envolvida em atividades ilícitas.
O advogado de Graeff argumentou que a divulgação fragmentada das mensagens é não apenas irrelevante para qualquer procedimento penal, mas também subverte valores morais e garantias constitucionais que protegem a privacidade.
Investigação em Andamento
O ministro André Mendonça determinou a abertura de um inquérito para investigar o vazamento das informações do celular de Vorcaro. Ele afirmou que o compartilhamento de informações sigilosas não autoriza o vazamento por membros da CPI, destacando que a quebra de sigilo deve ser tratada com responsabilidade.
Nos bastidores, a situação gerou discussões entre ministros sobre a necessidade de um controle mais rigoroso sobre os dados que podem ser solicitados pelas comissões, visando proteger o direito à privacidade e ao sigilo. A proposta é que as CPIs apresentem pedidos mais específicos, detalhando o que será investigado e excluindo informações íntimas.
Posicionamento da Polícia Federal
A PF declarou que nenhum relatório sobre as investigações do Banco Master continha dados da vida privada dos investigados. O diretor-geral da PF orientou que a equipe responsável fizesse uma representação para apurar a divulgação indevida das informações sigilosas.
A nota da PF esclarece que os materiais apreendidos foram liberados apenas para as defesas dos investigados e para os congressistas da CPMI, conforme determinação do relator do processo. A corporação reafirmou que não possui competência para editar ou manipular dados extraídos de equipamentos apreendidos.
Declaração de Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli afirmou que, durante sua relatoria das investigações sobre o Banco Master, não teve acesso às informações encontradas no celular de Vorcaro. Ele autorizou a análise dos dispositivos apreendidos, mas garantiu que nada foi encaminhado ao STF.
Toffoli detalhou que seu último ato foi determinar que a PF enviasse o material ao Supremo, assegurando que as investigações continuaram de forma regular. Ele retornará a se manifestar sobre o caso em 13 de março, quando será analisada a ordem de prisão preventiva de Vorcaro.
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