Governo determina sacrifício de matilha de dingos após morte de turista

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Governo de Queensland decide sacrificar matilha de dingos após ataque que resultou na morte de turista canadense.

O governo de Queensland, no nordeste da Austrália, anunciou a decisão de sacrificar os dez dingos envolvidos no ataque que resultou na morte da turista canadense Piper James, de 19 anos, na ilha de K’gari.

O corpo da jovem foi encontrado na última segunda-feira, 19, apresentando sinais de ferimentos causados pelos animais, conhecidos por serem uma espécie de cão selvagem que pode pesar até 15 kg e medir 1,5 m do focinho à cauda.

A autópsia realizada revelou evidências de afogamento e ferimentos compatíveis com mordidas de dingo. O relatório indicou que as marcas de mordida anteriores à morte de Piper não teriam causado a morte imediata e que também foram observadas marcas de mordida posteriores.

Especulações entre os habitantes da ilha, que abriga uma população de apenas 150 pessoas e cerca de 200 dingos, sugeriram que a jovem poderia ter tentado se afogar ao entrar no mar para escapar do ataque.

O departamento de meio ambiente de Queensland informou que guardas florestais monitoraram o grupo de dingos e constataram um comportamento agressivo, classificando os animais como um “risco inaceitável à segurança pública.”

O ministro de meio ambiente, Andrew Powell, expressou que a tragédia impactou profundamente a comunidade local e gerou uma comoção global. Ele ressaltou que a decisão de sacrificar os dingos seria uma medida humanitária, apesar de ser uma escolha difícil.

Dingos são considerados sagrados

A ilha de K’gari, reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco, possui um significado cultural profundo para o povo Butchulla, que considera os dingos, chamados wongari, como seres sagrados.

A secretária da Butchulla Aboriginal Corporation, Christine Royan, criticou a decisão de sacrificar a matilha, considerando-a um extermínio e afirmando que ações foram tomadas sem consultar os povos tradicionais da ilha.

Nos últimos anos, os encontros violentos entre dingos e humanos têm aumentado. Em 2023, uma matilha atacou uma mulher que corria na praia, forçando-a a se refugiar na água. Em 2024, um dingo foi morto com um arpão, e outros casos de abate ocorreram após ataques a pessoas.

O comitê consultivo do patrimônio mundial de K’gari argumenta que o turismo excessivo na ilha está exacerbando esses conflitos. Com centenas de milhares de turistas visitando anualmente, muitos alimentam os dingos para atraí-los e fotografá-los, o que aumenta o risco de ataques e ameaça o equilíbrio ecológico da região.

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