Governo Lula busca apoio internacional para Conselho da Paz e analisa resposta unificada ao convite de Trump
Brasil avalia participação no Conselho de Paz proposto por Trump.
O governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, está em processo de consulta a outros países convidados para integrar o Conselho de Paz, antes de decidir sobre a adesão ao novo órgão internacional.
Fontes próximas às discussões indicam que a resposta dos países convidados e suas reações são fatores cruciais na avaliação da participação do Brasil na iniciativa. O conselho é parte de um plano mais amplo dos Estados Unidos para resolver o conflito entre Israel e Hamas, mas também abordará outras questões de segurança internacional.
Recentemente, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manteve diálogos com líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu, para discutir a proposta. Diplomatas sugerem que é essencial que o Brasil busque informações sobre as posições de outros países em relação ao conselho, visando uma resposta coordenada ao convite feito por Trump.
Um diplomata envolvido nas conversas destacou que essa articulação é importante para prevenir que nações se coloquem em situações vulneráveis a possíveis retaliações por parte dos Estados Unidos. Existe também a expectativa de que a negociação dos termos do conselho leve em conta as demandas de outros países.
O governo francês, por exemplo, já anunciou que não aceitará o convite para participar do conselho, e Trump reagiu ameaçando aumentar tarifas sobre produtos franceses. Isso demonstra a tensão que pode surgir em decorrência de decisões relacionadas ao conselho.
Os membros do governo brasileiro minimizam o impacto que a recusa em participar poderia ter nas relações com Trump, acreditando que o presidente dos EUA terá que distinguir entre questões bilaterais e temas globais. No entanto, o Conselho de Paz é visto com cautela por parte da equipe de Lula, que aguarda uma análise mais aprofundada antes de tomar uma decisão final.
O convite foi oficialmente entregue ao presidente no dia 18 de janeiro, e além do Brasil, outros líderes, como os presidentes da Argentina e da Rússia, também foram convidados. No total, cerca de 60 países foram abordados, representando menos de um terço dos membros da ONU.
O Itamaraty expressa preocupação de que a criação do Conselho de Paz possa competir com o trabalho do Conselho de Segurança da ONU, o que poderia desestabilizar a organização. Embora a recusa ao convite sem uma manifestação formal seja considerada improvável, há discussões sobre a possibilidade de não responder ao convite como uma forma de evitar conflitos com Trump.
O estatuto do Conselho de Paz prevê mandatos de três anos para os países membros, com a possibilidade de renovação, e a operação do conselho seria sustentada por contribuições voluntárias, garantindo assentos permanentes a nações que contribuírem com pelo menos US$ 1 bilhão.
Os detalhes sobre a estrutura e funcionamento do novo grupo ainda são incertos. O primeiro-ministro de Israel já criticou a proposta, alegando que não houve coordenação com seu governo e que a iniciativa contraria a política israelense atual.
Alguns países, como Israel, confirmaram o recebimento do convite, embora o governo de Netanyahu ainda não tenha se pronunciado oficialmente sobre sua participação. Trump já anunciou os primeiros nomes que deverão compor o grupo, incluindo figuras proeminentes como o secretário de Estado e o ex-primeiro-ministro britânico.
Durante um evento no Rio Grande do Sul, Lula também fez críticas a Trump, sugerindo que o presidente americano busca governar de maneira impulsiva e sem diálogo direto com os povos.
