Governo Lula desiste de imposto sobre eletrônicos em meio a desgaste político antes das eleições

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Governo Lula recua em aumento de impostos e alivia setor de eletrônicos.

O governo federal, em um movimento inesperado em um ano eleitoral, decidiu não implementar o aumento no Imposto de Importação sobre smartphones e notebooks. A medida, que inicialmente visava arrecadar R$ 14 bilhões, foi revista devido a pressões políticas e temores relacionados à inflação.

A revogação das novas alíquotas foi confirmada na última quinta-feira e reflete a preocupação do governo com a reação do eleitorado diante do aumento nos preços dos eletrônicos. A decisão foi influenciada por um cenário de instabilidade econômica e a proximidade das eleições gerais de 2026.

Originalmente, a proposta de aumento de impostos estava baseada na Resolução 852 do Comitê Executivo de Gestão da Camex, que pretendia elevar a alíquota do Imposto de Importação de 16% para 20% em mais de 1.200 produtos. O Ministério da Fazenda, apoiado por setores da indústria, defendia essa medida como uma forma de proteger a produção nacional.

No entanto, o mercado reagiu rapidamente e de forma negativa. Com a implementação da nova alíquota, esperava-se um aumento médio de R$ 160 nos preços de dispositivos móveis de entrada, o que gerou insatisfação entre os consumidores e uma crise de imagem para o governo.

A “manobra” da Camex e o alívio para o varejo

Após intensas negociações e pressão de associações do setor, a Camex decidiu reverter parcialmente o pacote de aumento de impostos. Com isso, 15 itens considerados essenciais para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltaram a ter a alíquota original de 16%, enquanto outros 105 produtos terão isenção de tarifas por 120 dias.

Esse movimento é interpretado como uma vitória do setor privado, que conseguiu influenciar as decisões do governo em um momento delicado. Nos bastidores, a decisão é vista como uma estratégia para evitar um impacto negativo ainda maior na imagem do governo.

30 dias de crise: O custo da desaprovação

A crise gerada pela proposta de aumento de impostos evidenciou um governo reativo. Desde a assinatura da Resolução 852 até a revogação oficial, a desaprovação da medida foi amplamente relatada por parlamentares e nas redes sociais. Diante da pressão inflacionária, o governo decidiu abrir mão dos R$ 14 bilhões que esperava arrecadar.

A mensagem ao mercado é ambígua: enquanto o consumo pode ganhar impulso com a redução dos preços, a capacidade do governo de implementar medidas fiscais impopulares em um ano eleitoral é novamente questionada.

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