Governo Trump demonstra interesse em investir no processamento de terras raras no Brasil

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Trump e Lula buscam acordo sobre exploração de terras raras entre Brasil e Estados Unidos.

O governo dos Estados Unidos sinalizou nesta quarta-feira (11) um avanço nas negociações para um acordo de exploração de minerais críticos com o Brasil, focando no processamento e refino de terras raras no país. Essa iniciativa é uma das principais demandas do governo brasileiro.

As conversas entre o Departamento de Estado americano e o Itamaraty estão em andamento, refletindo a importância estratégica que o Brasil possui devido às suas vastas reservas de minerais críticos. O secretário de Estado adjunto, Caleb Orr, destacou que o Brasil é considerado um parceiro essencial devido à sua rica diversidade econômica e capacidade de processamento interno.

Durante uma coletiva de imprensa, Orr mencionou que os Estados Unidos estão ansiosos para avançar nas negociações com o Brasil, especialmente em relação a um possível acordo que poderia ser formalizado na visita do presidente Lula à Casa Branca, prevista para março. Embora a data exata ainda não tenha sido confirmada, o presidente brasileiro expressou interesse em viajar a Washington na primeira semana do mês.

O governo americano já investiu em projetos de mineração de terras raras em Goiás, como os de Serra Verde e Aclara, e está buscando expandir esses investimentos para incluir o processamento e refino no Brasil. A recente injeção de R$ 3 bilhões (aproximadamente US$ 565 milhões) na Serra Verde faz parte de uma estratégia mais ampla para diversificar fornecedores de minerais críticos e reduzir a dependência da China.

O foco das negociações inclui também a cooperação técnica e o financiamento por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC), que visa apoiar a capacidade de mineração brasileira. A abordagem do governo americano reconhece a necessidade de parcerias sólidas para garantir a segurança das cadeias de suprimento.

Seminário sobre terras raras

Além das negociações bilaterais, o governo Trump está organizando um seminário em colaboração com a Amcham Brasil e o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para discutir a exploração de minerais críticos, possivelmente após a visita de Lula a Washington. Essa iniciativa reflete a prioridade diplomática dos EUA em estabelecer parcerias comerciais na América Latina para garantir acesso a reservas estratégicas.

A China, que domina o mercado global de minerais críticos, continua a ser vista como um competidor, com os Estados Unidos buscando alternativas para não depender de fornecedores considerados não confiáveis. A presença da China no refino de minerais críticos é significativa, controlando a maior parte da produção de elementos essenciais para a tecnologia moderna.

Recentemente, o governo brasileiro optou por não se comprometer com as iniciativas de Washington, participando de eventos de menor relevância política, mas a questão do controle sobre a cadeia de suprimentos de minerais críticos permanece uma prioridade para os EUA.

Independência estratégica

Para autoridades brasileiras, a proposta americana visa reduzir a influência da China no setor de minerais críticos. O Brasil, possuindo a segunda maior reserva global de terras raras, busca garantir sua autonomia e explorar seu potencial mineral de forma mais abrangente.

O governo brasileiro está considerando uma abordagem mais diversificada na busca de parcerias, não se limitando apenas aos Estados Unidos, mas também envolvendo outras potências como a China, a União Europeia e a Índia. A preferência é por acordos bilaterais que permitam maior flexibilidade e controle sobre os recursos minerais.

O diplomata americano, por sua vez, afirmou que os Estados Unidos estão comprometidos em encontrar soluções que beneficiem ambas as partes, promovendo um mercado de processamento mais diversificado e viável.

EUA x China

Em relação à presença de empresas chinesas em projetos de mineração na América do Sul, Orr negou que as políticas americanas sejam uma retaliação, afirmando que o foco é garantir resiliência e altos padrões na cadeia de suprimentos. No entanto, ele não comentou sobre possíveis ligações entre as negociações de minerais críticos e questões diplomáticas envolvendo sanções contra autoridades brasileiras.

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