Gravataí: júri condena dois acusados a mais de 190 anos de prisão pela morte de jovem grávida no ataque a tiros
Decisão unânime do Conselho de Sentença responsabiliza os réus por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa armada em crime ligado ao tráfico de drogas
O Tribunal do Júri de Gravataí condenou dois homens a penas combinadas que superam 190 anos de reclusão pelo assassinato de uma jovem de 20 anos que estava grávida de seis meses, em um ataque a tiros ocorrido em maio de 2015, e por tentativas de homicídio contra familiares dela. A decisão foi proferida na madrugada de sexta-feira, 27 de fevereiro, após três dias de sessões no plenário do Júri.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os promotores de Justiça Priscilla Raminelli Leite Pereira e Eugênio Paes Amorim, do Núcleo de Apoio ao Júri (NAJ), sustentaram ao longo do julgamento que o ataque foi planejado e executado de forma brutal e premeditada, com a utilização de armas de fogo e motivo torpe, em meio a disputas pelo controle do tráfico de drogas na região da Parada 79, em Gravataí.
O Conselho de Sentença acolheu integralmente a acusação e aplicou pena de 106 anos, 8 meses e 10 dias de reclusão a um dos réus e 92 anos, 5 meses e 15 dias de reclusão ao outro, ambas em regime inicial fechado. As qualificadoras incluíram motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas, já que a jovem e seus familiares foram surpreendidos no interior de um automóvel quando sofreram 56 disparos de arma de fogo.
Além das condenações por homicídio e tentativas de homicídio, os dois réus foram sentenciados por associação criminosa armada, por integrar organização com divisão de tarefas e emprego de armamento para fins ilícitos. Outros três acusados que também estavam no banco dos réus foram absolvidos das acusações de homicídio e tentativas de homicídio, e o MPRS já anunciou que recorrerá dessas absolvições às instâncias superiores.
O MPRS argumentou durante o julgamento que o ataque teve suas raízes em conflitos internos do tráfico de drogas na localidade, e que a conduta dos condenados demonstrou clara intenção de exterminar alvos relacionados a essas disputas, incluindo a jovem grávida, que acabou morta pelo volume de tiros disparados.
A decisão do Conselho de Sentença representa uma das mais severas já proferidas em casos de homicídio qualificado no Rio Grande do Sul, refletindo a gravidade e brutalidade do crime e o impacto sobre a comunidade local.
Foto: Divulgação/MPRS