Hotéis no México registram apenas 30% de reservas a menos de quatro meses da Copa do Mundo 2026
Reservas hoteleiras nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2026 estão aquém do esperado.
A menos de meses da Copa do Mundo da FIFA de 2026, o setor hoteleiro nas cidades-sede do México apresenta uma realidade preocupante. Na Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, a média de reservas é de apenas 30%, um número que contrasta fortemente com a expectativa de lotação máxima típica de eventos dessa magnitude. Os dados do setor revelam que ainda há “muito espaço a preencher” enquanto a contagem regressiva para o torneio avança.
O presidente da Associação Mexicana de Hotéis e Motéis destacou que, apesar do ritmo lento das reservas, a confiança é de que a demanda aumentará à medida que a data se aproxima. A expectativa é de uma recuperação de última hora, embora a situação atual permaneça moderada.
Monterrey avança mais rápido, Guadalajara amplia oferta em meio à incerteza
Os números de reservas não são homogêneos entre as cidades. Monterrey, por exemplo, já alcançou cerca de 60% de ocupação, embora isso se deva à sua oferta reduzida de quartos. Em contraste, Guadalajara enfrenta um aumento na oferta de acomodações, com novos hotéis sendo inaugurados. Recentemente, dois novos estabelecimentos foram abertos, e mais três estão previstos antes do torneio, totalizando 500 novos quartos na região.
O presidente da Associação Hoteleira de Jalisco mencionou que as reservas têm apresentado variações significativas devido ao calendário das partidas, que distribui a demanda ao longo do mês, dificultando as reservas antecipadas. Atualmente, Guadalajara registra cerca de 30% de quartos reservados, mas o setor espera que a ocupação alcance entre 80% e 90% durante o evento.
Entretanto, a recente onda de violência no estado pode impactar a percepção de segurança e a decisão de viagem de torcedores, tanto nacionais quanto internacionais, gerando incertezas sobre a ocupação final.
Tarifas voláteis: do “bloqueio” preventivo a possíveis aumentos de 300%
As tarifas de hospedagem estão em constante ajuste. Inicialmente, os preços foram elevados como uma estratégia de “bloqueio” diante da incerteza da demanda, mas com o aumento das reservas, as tarifas começaram a se acomodar. Apesar disso, a alta ocupação pode resultar em aumentos significativos, variando entre 100% e 300% em locais próximos aos estádios.
Na Cidade do México, os preços dos hotéis subiram, em média, 961% para as datas próximas ao torneio, enquanto Monterrey e Guadalajara registraram aumentos de 466% e 405%, respectivamente. Apesar de muitas acomodações já estarem esgotadas, a média de 30% de reservas atuais indica uma dinâmica desigual entre os diferentes segmentos do mercado.
Nos Estados Unidos, impacto “modesto”, mas crucial para o setor
Nos Estados Unidos, o impacto do torneio pode ser limitado, com previsões indicando um aumento modesto de 1,7% na receita por quarto disponível durante os meses de junho e julho. A recuperação da ocupação deve ocorrer nas semanas que antecedem o evento, mas o efeito será temporário e concentrado em datas específicas. No México, espera-se um cenário semelhante, com picos de lotação nos dias de jogos e uma taxa média de ocupação alta, mas não constante.
Airbnb entra no jogo e promete renda extra
A economia colaborativa, representada pelo Airbnb, está se preparando para aproveitar a demanda durante o torneio. A plataforma está oferecendo incentivos financeiros para novos anfitriões em cidades-sede, com a expectativa de que os moradores possam ganhar em média US$ 3 mil durante o evento. O mercado imobiliário já está sentindo os efeitos da Copa, com aumentos significativos nos aluguéis em áreas próximas aos estádios.
Com a aproximação do evento, a diferença entre os preços exorbitantes e a taxa de ocupação ainda baixa nos hotéis é evidente. Embora novos quartos estejam sendo adicionados ao mercado, a verdadeira movimentação no setor hoteleiro ainda está por vir.
