Impactos da derrubada do tarifaço de Trump sobre café solúvel, uva, mel e pescados brasileiros

Compartilhe essa Informação

Suprema Corte dos EUA anula tarifas de Trump, beneficiando exportações brasileiras.

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu derrubar tarifas impostas anteriormente pelo governo Trump, impactando diretamente as exportações brasileiras de produtos como café solúvel, mel, uva e pescados.

Esses produtos haviam sido excluídos de isenções em decisões anteriores, que isentaram uma parte significativa das exportações agrícolas do Brasil para os EUA. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimou que essa reversão abrangeu cerca de 55% do valor total exportado em 2024 para o mercado americano.

Entre os produtos beneficiados, destacam-se o café em grão e a carne bovina, que ocupam posições de destaque nas vendas para os EUA, enquanto 45% dos produtos ainda enfrentam tarifas, incluindo café solúvel e pescados, que dependem fortemente deste mercado.

Após a decisão da Suprema Corte, associações do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) e a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), não se manifestaram imediatamente. Outras associações, como a Abrafrutas e a Abics, estão em busca de mais informações sobre as implicações da nova medida.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) optou por não se pronunciar no momento, enquanto o setor aguarda repercussões sobre a decisão judicial.

Impacto nas exportações de café solúvel

Em 2024, as exportações de café solúvel para os EUA representaram 10% do total da indústria brasileira de café. O café em grão, que já foi isento de tarifas, continua a ser o principal item exportado.

O café solúvel brasileiro sempre teve uma presença marcante nos supermercados dos EUA, com 38% das importações americanas desse produto originando-se do Brasil. No entanto, a imposição de tarifas elevadas levou a uma queda significativa nas exportações, com um recuo de 50% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O mercado americano, que tradicionalmente foi o principal destino do café solúvel brasileiro, viu sua posição alterada, com a Rússia emergindo como um novo líder nas importações após as tarifas. As vendas de uvas frescas também foram impactadas, com uma queda de 73% nas exportações para os EUA entre outubro e novembro de 2024.

Os EUA, que são grandes produtores de uva, devem ter uma supersafra no próximo ano, o que contribui para a exclusão da uva das isenções tarifárias. Apesar disso, as uvas que não foram exportadas para os EUA foram redirecionadas para mercados na Europa e América do Sul, mas com um impacto negativo nas negociações de preço.

Além disso, o mel brasileiro, que já enfrentava uma taxa de importação adicional, teve suas exportações para os EUA comprometidas. O setor de pescados também expressou frustração com a exclusão das isenções, destacando a importância das vendas para a economia de comunidades costeiras e ribeirinhas.

As exportações de pescados geram cerca de US$ 300 milhões anuais, e a ausência de avanços nas negociações tarifárias é vista como uma ameaça ao setor, que precisa de estratégias para manter sua competitividade no mercado americano.

“É urgente recolocar o pescado brasileiro no radar das negociações bilaterais. O mercado americano é vital para o Brasil e a ausência de avanços é um sinal claro de que estamos ficando para trás.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *