Inovações em tempos de orçamento apertado: lições da ciência espacial sobre eficiência e criatividade

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O número de estrelas no universo supera a quantidade de grãos de areia na Terra, revelando a vastidão do cosmos.

Durante o SXSW 2026, uma pergunta intrigante provocou a reflexão da plateia: “O número de estrelas no universo é maior do que o número de grãos de areia na Terra. Verdadeiro ou falso?” A resposta correta, que surpreendeu alguns, é verdadeira. Estima-se que existam cerca de 100 trilhões de estrelas, enquanto a contagem de grãos de areia no planeta gira em torno de 7,5 trilhões.

Esse quiz não apenas divertiu, mas também estabeleceu o tom do evento, que mesclou ciência, curiosidade e inovações tecnológicas. No entanto, o foco da discussão foi um desafio prático: como inovar em um cenário de recursos limitados?

O painel contou com a presença de Vanessa Smith, Chief Corporate Affair Officer da ServiceNow, e Susan Mullally, diretora de IT Solutions do Space Telescope Science Institute (STScI), que é responsável pelas operações do Hubble, do James Webb e de futuras missões espaciais.

A trajetória profissional de Susan é bastante singular. Em vez de seguir o caminho tradicional da tecnologia, começou sua carreira nos anos 1980 como florista. A motivação para a mudança surgiu ao notar que as oportunidades de crescimento eram desiguais em relação ao seu marido, que trabalhava na área de tecnologia. “Decidi que precisava mudar para ter as mesmas oportunidades”, contou.

Após essa decisão, Susan foi convidada para uma entrevista no STScI, localizado no campus da Johns Hopkins University, em Baltimore. Na época, ela não tinha ideia de que poderia trabalhar em um lugar tão renomado. Quando ouviu o nome “Hubble”, soube que era a oportunidade que buscava.

Atualmente, cerca de metade da equipe do instituto é composta por engenheiros e cientistas que desenvolvem sistemas e softwares para operar telescópios espaciais e processar os dados coletados. “Se você me perguntar, somos quase uma empresa de desenvolvimento de software”, brincou, mas enfatizou que a essência da organização é científica.

Ciência de ponta, processos analógicos

Apesar de trabalhar com tecnologia de ponta, a realidade do STScI, alguns anos atrás, era marcada por processos administrativos antiquados. Quando Susan ingressou na instituição, muitos procedimentos ainda eram manuais. “Tudo era e-mail. Tudo era manual”, recordou.

Um exemplo desse cenário era a necessidade de imprimir um documento para levar um laptop para casa, que exigia a assinatura de vários superiores. A resistência à modernização não era apenas tecnológica, mas também cultural. “A justificativa era sempre a mesma: ‘somos diferentes, somos especiais’”, relembrou.

Após dois anos de insistência, Susan decidiu confrontar essa narrativa. “Vocês não são tão especiais assim. Não há razão para não seguirmos boas práticas”, desafiou a equipe, argumentando que, se a organização opera telescópios que exploram o universo, deveria também modernizar seus processos internos.

Desafio de inovar com menos recursos

A pressão por eficiência aumentou consideravelmente. Como a maior parte do financiamento do instituto provém do governo dos Estados Unidos, cortes orçamentários afetam diretamente a capacidade de contratação. “Estamos sob pressão de todos os lados”, afirmou Susan.

Em muitos casos, as vagas não podem ser preenchidas quando profissionais deixam a organização. “Não consigo sempre repor vagas. Às vezes, não posso contratar ninguém novo. Precisamos descobrir como continuar trabalhando com a equipe atual”, explicou.

A solução encontrada foi a automação de processos. “Começamos a questionar: o que ainda fazemos manualmente? O que é repetitivo e não agrega valor?”, disse. Com a automação de tarefas, como suporte técnico e triagem de chamados, as equipes puderam se concentrar em atividades mais relevantes.

O próximo telescópio

Enquanto o instituto avança em suas operações, novas missões espaciais estão em preparação. O próximo grande projeto é o Nancy Grace Roman Space Telescope, que será lançado em breve. Esta missão visa responder perguntas fundamentais da astronomia, como a natureza da matéria escura e da energia escura, além de investigar a existência de exoplanetas potencialmente habitáveis.

Cada novo telescópio apresenta desafios operacionais. No caso do Roman, parte das operações científicas será compartilh

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