Insegurança impede 62% das mulheres de viajarem sozinhas

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Quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas.

Uma nova pesquisa revela que as mulheres estão cada vez mais se sentindo seguras para explorar o mundo de forma independente.

O estudo foi realizado com 2.712 mulheres e destaca que, apesar do aumento na autonomia, as viajantes solo ainda enfrentam desafios estruturais que afetam suas experiências e segurança durante as viagens.

De acordo com os dados, 62% das entrevistadas relataram já ter desistido de viajar sozinhas devido a preocupações com a segurança. Além disso, 61% afirmaram ter passado por situações que as deixaram inseguras enquanto viajavam desacompanhadas.

A insegurança é mais acentuada entre mulheres negras e indígenas, que enfrentam vulnerabilidades adicionais. Entre essas mulheres, 65,35% já deixaram de viajar por questões de segurança.

Quando questionadas sobre o que poderia aumentar sua segurança e conforto ao viajar sozinhas pelo Brasil, 29,3% das mulheres pediram mais policiamento e câmeras de segurança. Melhorias na infraestrutura de transporte e hospedagem foram solicitadas por 21%, enquanto 17% desejam mais informações específicas para viajantes solo. Além disso, 16% afirmaram que a presença de mais funcionárias no setor de turismo poderia proporcionar um ambiente mais acolhedor.

Entre as que já viajaram sozinhas, 31,4% fazem isso com frequência, a cada poucos meses, indicando que, apesar das incertezas, a experiência é vista como gratificante e libertadora.

Quase 35% das viajantes solo têm entre 35 e 44 anos, e 22% estão na faixa de 45 a 54 anos. Esses dados sugerem que, em fases da vida com maior estabilidade financeira e liberdade pessoal, muitas mulheres sentem-se mais capacitadas para viajar sozinhas. Além disso, 68% delas não têm filhos.

A motivação para viajar é variada: 73% buscam momentos de lazer, 65% desejam exercitar sua independência e liberdade, 41% procuram autoconhecimento, e 38% viajam sozinhas por compromissos profissionais.

Entre aquelas que nunca viajaram sozinhas, 59% expressaram o desejo de fazê-lo nos próximos dois anos.

Motivação

O interesse por atividades culturais, como visitas a museus e centros históricos, atrai 68% das mulheres entrevistadas. O ecoturismo é a preferência de 64%, seguido por experiências de bem-estar (44,9%), compromissos de trabalho (38,5%), participação em eventos e festivais (36,6%) e interesse pela gastronomia (30,1%).

Uma parte significativa (36%) das respondentes viaja sozinha apenas pelo Brasil, com as regiões Sudeste (73%) e Nordeste (66%) sendo as mais visitadas, seguidas pelo Sul (50%), Centro-Oeste (37%) e Norte (30%).

Os resultados completos da pesquisa foram publicados no Guia Para Mulheres que Viajam Sozinhas, lançado pelo Ministério do Turismo. O guia é uma ferramenta valiosa para gestores públicos, operadores turísticos e empresas que atendem viajantes, oferecendo orientações para promover um turismo mais seguro, inclusivo e acolhedor.

Durante a apresentação do guia em Brasília, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, enfatizou que a publicação reconhece o direito das mulheres de viajar com liberdade e segurança, sem que o medo seja um obstáculo.

O guia também faz parte de uma agenda de turismo responsável e está alinhado com iniciativas que buscam combater a violência de gênero e promover a igualdade.

Anteriormente, o Ministério do Turismo já havia lançado um guia focado em atender bem turistas mulheres, voltado para o setor de serviços.

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