Itamaraty confirma revogação de visto de assessor de Trump
Revogação do visto de assessor de Trump impede visita ao Brasil
O Ministério das Relações Exteriores anunciou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que planejava visitar o Brasil na próxima semana.
A decisão foi fundamentada na constatação de que informações relevantes sobre o motivo da visita foram omitidas durante a solicitação do visto em Washington. A pasta enfatizou que essa omissão constitui um princípio legal suficiente para a negativa do visto, conforme a legislação nacional e internacional.
Durante um evento no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que Beattie só poderá entrar no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tiver seu visto liberado para os Estados Unidos. Lula mencionou que a visita do assessor estava relacionada a Jair Bolsonaro, e que a proibição se mantinha até que as questões de visto de Padilha fossem resolvidas.
O presidente também recordou que, em 2025, os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de 10 anos de Padilha, que na época tinha seu visto vencido e, portanto, não poderia ser cancelado. Lula garantiu que Padilha estava sendo protegido em relação a essas questões diplomáticas.
Na quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, negou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber Beattie. Moraes argumentou que a visita não foi comunicada à diplomacia brasileira e não fazia parte da agenda oficial do assessor durante sua estada no Brasil.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também alertou que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente em ano eleitoral poderia ser interpretada como uma ingerência indevida nos assuntos internos do Brasil. Essa declaração foi formalizada em um ofício enviado a Moraes.
Bolsonaro havia solicitado ao STF autorização para a visita de Beattie, que é um aliado do ex-presidente americano e atua no Departamento de Estado com foco em questões relacionadas ao Brasil. A defesa de Bolsonaro propôs que a visita ocorresse na próxima segunda ou terça-feira, datas em que Beattie estaria oficialmente no país, e também solicitou a presença de um tradutor durante o encontro.